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Plataforma Zango AI quer estar presente em sete dos 10 maiores bancos e seguradoras em Portugal até ao próximo ano

Plataforma Zango AI quer estar presente em sete dos 10 maiores bancos e seguradoras em Portugal até ao próximo ano

A plataforma Zango AI, que desenvolve soluções de inteligência artificial (IA) aplicadas à conformidade no setor financeiro, anunciou a integração de Manuel Gonçalves Ferreira no seu advisory board.
Com um percurso de mais de 30 anos no setor bancário, Manuel Gonçalves Ferreira vai trazer para a Zango AI um conhecimento aprofundado do sistema financeiro e dos desafios regulatórios que hoje se colocam às mais diversas instituições do setor.
Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Manuel Ferreira Gonçalves afirma que “sempre tive um gosto especial por estar envolvido nos grandes processos de desenvolvimento e transformação disruptiva na atividade financeira, seja na banca de investimento, mercado de capitais, produtos derivados, gestão de ativos ou banca digital”. “Tenho agora um enorme prazer em estar envolvido numa transformação que será ainda mais marcante na alavancagem da capacidade humana através da utilização de inteligência artificial”.
Ao JE confessa que o seu principal desafio será “traduzir uma tecnologia genuinamente poderosa em linguagem que os decisores das instituições financeiras compreendam e confiem”.
Manuel Ferreira Gonçalves salienta que “quer ser uma ponte entre a inovação que a Zango AI representa e as instituições que mais têm a ganhar com ela”.
Apesar do setor de compliance financeiro em Portugal ter atingido um “nível de maturidade que não tínhamos há uma década”, com as instituições a investirem “significativamente em estruturas, processos e pessoas”, ainda é um setor que enfrenta desafios.
Um dos principais desafios passa pela fragmentação, “regulação que varia por jurisdição, por produto, por canal de distribuição, com timings de entrada em vigor diferentes e frequentemente sobrepostos. Uma instituição com presença em vários mercados europeus enfrenta uma complexidade que não é linear – é exponencial. A isto acresce a escassez de talento especializado e a pressão sobre os orçamentos de compliance, que têm de justificar cada euro investido”.
Na opinião de Manuel Gonçalves Ferreira, a IA pode ter um impacto “transformador” no setor, contudo é importante ser “rigoroso”. “A IA não substitui o julgamento humano em compliance; substitui o trabalho manual, repetitivo e de baixo valor que consome uma parte desproporcional do tempo das equipas”, refere.
“Estou a falar de monitorização regulatória contínua, análise de lacunas, revisão de campanhas de marketing, gestão documental de políticas internas. Tarefas que hoje levam semanas podem passar a levar horas. Esse ganho de capacidade liberta os profissionais de compliance para aquilo que realmente importa: interpretar, decidir e aconselhar”, aponta.
Para além dos desafios o setor enfrenta mudanças significativas, nomeadamente com a entrada em vigor do EU AI Act, que representa “uma mudança de paradigma”. “Pela primeira vez, os sistemas de inteligência artificial utilizados em contextos de alto risco – e o setor financeiro enquadra-se claramente nessa categoria – passam a estar sujeitos a obrigações concretas: transparência, rastreabilidade, supervisão humana, gestão de risco documentada. Isto significa que as instituições que já utilizam IA nos seus processos de compliance têm agora uma camada adicional de conformidade a gerir. E as que ainda não o fazem vão ter de fazê-lo em breve – mas já com um quadro regulatório mais exigente”, explica.
Para Manuel Gonçalves Ferreira, o EU AI Act vai “acelerar a profissionalização do mercado. Vai eliminar soluções improvisadas e valorizar as que foram construídas com rigor, auditabilidade e governação desde a origem”.
Esta não é a única mudança que o setor enfrenta, numa altura em que está a viver “um momento de reconfiguração”. “A velocidade da transformação digital está a redefinir os modelos de distribuição e a relação com o cliente, o que obriga as instituições a reinventar processos que levaram décadas a construir. O escrutínio regulatório nunca foi tão intenso: os supervisores estão mais exigentes, mais sofisticados e com muito mais dados à disposição. E há uma crescente dificuldade em atrair e reter talento especializado, tanto em tecnologia como em áreas técnicas como compliance, risco e jurídico”, detalha.
Com tanta reconfiguração a IA pode ser vista como a solução, apesar de não “resolver tudo” pode dar às equipas, “quando bem aplicada”, “capacidade de responder a esta complexidade com uma agilidade que de outra forma seria impossível”.
A plataforma quer continuar a apostar no mercado português, que é um “mercado estratégico para a Zango AI- não apenas como ponto de entrada ibérico, mas como laboratório de excelência regulatória. O setor financeiro português é sofisticado, bem supervisionado e com uma cultura de compliance que facilita a adoção de soluções”.
Manuel Gonçalves Ferreira afirma que o investimento na presença local e no talento nacional vai continuar a crescer, tendo como ambição estar em “sete dos 10 maiores bancos e seguradoras em Portugal no próximo ano”.

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