Unicre diz que consumo cresce 9% em 2025 impulsionado pelo mercado nacional
O consumo em Portugal registou um crescimento de 9% em 2025, segundo dados divulgados pela Unicre no relatório Reduniq Insights, refletindo uma recuperação sustentada da atividade económica, ainda que marcada por mudanças no comportamento dos consumidores.
De acordo com o relatório, o aumento da faturação foi acompanhado por uma subida de 10% no número de transações realizadas na rede de pagamentos, enquanto o valor médio por compra registou uma ligeira queda de 1% face a 2024. Esta combinação indica que os consumidores estão a realizar compras com maior frequência, mas com valores mais reduzidos por operação.
O crescimento do consumo ao longo do ano não foi uniforme. Os períodos de Verão e o último trimestre destacaram-se como os mais dinâmicos, impulsionados pelas férias e pela época promocional e festiva. Ainda assim, na segunda metade do ano verificou-se um abrandamento generalizado na maioria dos setores e regiões, com exceção de áreas como farmácias, moda, retalho alimentar, eletrodomésticos e perfumarias, que mantiveram um desempenho mais positivo.
Segundo Tiago Oom, Head of Merchant Acquiring da Unicre, os dados revelam uma mudança clara no padrão de consumo: “Os consumidores estão mais ativos, mas também mais criteriosos, refletindo um contexto económico exigente onde a gestão do orçamento é central.”
Um dos principais destaques de 2025 foi o papel dominante do mercado nacional. A faturação gerada por cartões portugueses cresceu 12% face ao ano anterior, assumindo-se como o principal motor da evolução da rede Reduniq Em contraste, o consumo estrangeiro registou um crescimento mais modesto, de apenas 2%, evidenciando uma desaceleração face a 2024.
Apesar disso, os principais mercados internacionais mantiveram-se estáveis, com destaque para o Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos, França e Alemanha, que continuam a representar a maior fatia do consumo estrangeiro em Portugal.
Por setores, os combustíveis lideraram o crescimento, com uma subida de 35%, seguidos pelo retalho alimentar tradicional (+19%) e pela saúde (+16%). Já os hiper e supermercados, que concentram 29% da faturação total, cresceram 8%. Em contrapartida, setores mais dependentes do turismo, como a restauração e a hotelaria, registaram desempenhos mais modestos: a restauração cresceu 5%, enquanto a hotelaria e atividades turísticas sofreram uma quebra de 5%.
A nível regional, o crescimento revelou-se mais distribuído pelo território, com distritos como Leiria, Guarda, Vila Real, Beja e Portalegre a destacarem-se pelo dinamismo. Por outro lado, regiões tradicionalmente mais turísticas, como Madeira, Faro, Açores e Lisboa, apresentaram crescimentos mais moderados.
O relatório destaca ainda a consolidação dos pagamentos contactless, que já representam 71% da faturação e 85% do número de transações. No entanto, o valor médio destas compras permanece inferior ao da média global.
No seu conjunto, os dados apontam para uma maior resiliência do consumo essencial e recorrente, enquanto os gastos mais discricionários continuam a enfrentar um contexto mais desafiante. A Unicre sublinha, por isso, a importância de soluções de pagamento flexíveis e adaptadas às novas exigências dos consumidores e do mercado.
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