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FMI já aponta para défice de 0,1% em Portugal

FMI já aponta para défice de 0,1% em Portugal

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê agora um défice de 0,1% para Portugal em 2026, uma revisão em baixa face ao saldo nulo que previa em outubro do ano passado. Nos anos seguintes, a instituição projeta derrapagens cada vez maiores (–0,2% do PIB em 2027, –0,5% em 2028, –0,9% em 2029, –1,2% em 2030 e –1,6% em 2031), considerando os pressupostos atuais, indica o relatório Fiscal Monitor.
Já o saldo primário (sem contar os juros da dívida pública) deverá continuar positivo até 2030, mas também aqui o Fundo Monetário acredita que deverá deteriorar-se todos os anos até atingir 0% em 2031.
A instituição liderada por Kristalina Georgieva prevê ainda que o Estado português receba cada vez menos receitas (descida de 44,1% do PIB em 2025 para 43,8% este ano e 42,4% em 2027) e que a despesa aumente ligeiramente em 2026, de 43,7% para 43,9% do PIB, caindo logo no ano seguinte para 42,5% (níveis de 2024).
Em relação à dívida pública, o FMI antecipa que continue a cair, passando de 89,9% para 85,6% este ano — abaixo da previsão do Governo no Orçamento do Estado, que apontava para 87,8%. Nos anos seguintes, o Fundo acredita que a dívida portuguesa continuará a trajetória descendente, chegando aos 74,4% em 2031.
Para o conjunto dos países do Euro, o défice deverá ficar em 3,3% (mais três décimas do que no ano passado), enquanto nos países mais desenvolvidos (G7) espera-se um saldo ainda mais negativo, atingindo os 5,8% (mais 0,5 pontos percentuais).
Entre os 38 países analisados, dos quais 24 são estados-membros da UE, apenas sete deverão ter saldo positivo, estima o Fundo Monetário, incluindo apenas dois estados-membros: Chipre (1,6%) e Irlanda (0,4%). Nos maiores países europeus, os défices deverão ficar entre 2,1% (Espanha) e 4,9% (França), enquanto nos EUA deverão ascender a 7,5%, no Reino Unido a 3,9% e no Japão a 2%, aponta ainda o FMI.
Respostas orçamentais devem ser “calibradas”
No contexto atual, em que a guerra ameaça as economias globais, o FMI entende que “as respostas de política ao aumento dos custos da energia devem ser rigorosamente calibradas, dirigidas às famílias vulneráveis e às empresas viáveis, e compatíveis com os esforços da política monetária para conter a inflação”, tendo em conta que “as almofadas orçamentais já estão esgotadas” em vários países. “Devem evitar-se subsídios generalizados aos preços quando impliquem custos orçamentais elevados e sejam difíceis de retirar”, pode ler-se no relatório.
O FMI avisa que “a dinâmica da dívida pública global não melhorou de forma material em 2025” e que, agora, “a guerra no Médio Oriente acrescentou uma nova fonte de pressão orçamental a um panorama global já de si sob tensão”.
O conflito poderá “agravar ainda mais as finanças públicas através de preços mais elevados dos alimentos e dos combustíveis, de condições financeiras mais apertadas, de menor atividade económica e do aumento da despesa com defesa”, considera o Fundo. Os governos podem ver-se forçados “a escolher entre proteger as populações dos picos de preços e preservar margem orçamental”.
A margem é cada vez mais reduzida. “Uma preocupação central não é apenas o nível elevado da dívida global, mas também a trajetória implícita nas atuais orientações orçamentais. Taxas de juro mais altas e uma maior sensibilidade dos mercados às notícias orçamentais sugerem que a margem para acomodar essa trajetória está a estreitar-se”, sinaliza o FMI, que refere uma “deterioração estrutural” que “reflete escolhas de política que aumentaram a despesa permanente com prestações sociais ou reduziram receitas, sobretudo em algumas das maiores economias”.
E até nos países “onde a dinâmica da dívida melhorou”, a dívida pública “continua, em muitos casos, acima dos picos registados durante a crise da covid-19”. No caso dos governos europeus, “terão de conciliar os compromissos com a defesa e as pressões associadas ao envelhecimento através de uma reorientação efetiva das prioridades de despesa”.
A dívida pública global subiu para cerca de 94% do PIB em 2025, nota o FMI, voltando a avisar que, “mantendo-se as trajetórias atuais, atingirá 100% em 2029, um nível anteriormente alcançado apenas no rescaldo da Segunda Guerra Mundial”.

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