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Reciclagem em Portugal estagna apesar de investimento recorde de 237 milhões de euros

Reciclagem em Portugal estagna apesar de investimento recorde de 237 milhões de euros

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 revelam um cenário preocupante para a sustentabilidade em Portugal: as quantidades de embalagens encaminhadas para reciclagem sofreram uma queda de -1% face ao mesmo período do ano passado. O recuo ocorre num momento em que o setor beneficia de um reforço financeiro histórico, provando que o atual modelo de recolha está a falhar na transformação do paradigma nacional.
Entre janeiro e março de 2026, foram recolhidas apenas 114.490 toneladas de embalagens nos ecopontos. Este desempenho mantém a tendência negativa dos últimos anos e afasta Portugal das metas europeias, segundo a Sociedade Ponto Verde. Em 2025, o País já tinha falhado o objetivo de reciclagem, fixando-se nos 60,2%, quando a meta exigida é de 65%.
O paradoxo reside no financiamento. Já que em 2025, houve um aumento de 90 milhões de euros no setor e, para 2026, prevê-se um novo reforço de 25 milhões. No total, a Sociedade Ponto Verde (SPV) e outras entidades gestoras deverão transferir 237 milhões de euros para os sistemas municipais e concessionários.
Vidro e Plástico em terreno negativo
Os dados por material revelam que na reciclagem de vidro houve uma queda de -1% (48.187 toneladas), continuando a ser um dos materiais mais críticos.
No plástico regista-se um recuo acentuado de -8% (20.144 toneladas) na separação via ecoponto.
Já no ECAL (Cartão para Alimentos Líquidos) houve uma queda de -2%.
Pela positiva o destaque vai para a reciclagem de papel/cartão que cresceu 2% e do alumínio que subiu 9%.
Aterros no limite e desperdício financeiro
A estagnação da reciclagem tem consequências diretas na gestão de resíduos, diz a SPV que acrescenta que os aterros nacionais estão a atingir o limite da sua capacidade. Estima-se que Portugal esteja a “enterrar” 32,7 milhões de euros anuais em embalagens que, por não serem separadas, acabam no lixo comum em vez de serem valorizadas, revela a sociedade.
Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, defende uma maior exigência na aplicação dos fundos: “Os recursos disponíveis permitem a evolução estrutural do sistema (…) devemos ser mais exigentes para que a mudança efetiva aconteça”.
Para inverter este ciclo, a SPV aponta como prioridades a implementação de ecopontos inteligentes (com sensores) e sistemas de recolha porta-a-porta; um maior controlo sobre os sistemas de triagem operados pelos municípios; a adoção de medidas Pay As You Throw (pagar apenas pelo que não se recicla).
A SPV propõe ainda no canal HORECA alargar o sistema de baldeamento assistido para vidro, que já provou aumentar a retoma deste material entre 7% a 11% em projetos-piloto.

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