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BIF substituem os PIIGS como os novos “maus da fita” do mercado de dívida europeu

BIF substituem os PIIGS como os novos “maus da fita” do mercado de dívida europeu

Os investidores no mercado de obrigações soberanas da Zona Euro estão a trocar os velhos PIIGS por um novo acrónimo os BIF. O termo, que designa Bélgica, Itália e França, está a ganhar força entre analistas e traders como forma de identificar os países da zona euro cujas dívidas públicas são vistas com maior desconfiança pelos mercados, substituindo o antigo grupo dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), que foi usado durante a crise da dívida soberana de 2010-2012.
O “Financial Times” (FT) começou a utilizar PIGS para se referir aos países então com maiores dificuldades na Europa – Portugal, Itália, Grécia e Espanha –, que acabaram por ter de pedir assistência troika (Comissão Europeia, BCE e Fundo Monetário Internacional) e passar por programas de ajustamento.
Numa notícia desta semana o “Financial Times”, anuncia que os BIF refletem as novas preocupações dos investidores com níveis elevados de dívida pública, défices persistentes e crescimento económico mais fraco em alguns dos maiores países da zona euro. Enquanto Portugal e a Irlanda conseguiram recuperar credibilidade junto dos mercados após anos de ajustamento fiscal rigoroso, a atenção virou-se agora para economias maiores e mais sistemicamente importantes.
A Bélgica, a Itália, a França e a Espanha enfrentam atualmente combinações preocupantes de dívida pública acima ou próxima dos 100% do PIB (no caso de Itália e França, significativamente acima); défices orçamentais que continuam elevados; crescimento potencial limitado; e custos de financiamento que têm subido de forma mais acentuada do que noutros países do núcleo da zona euro.
Os spreads (diferenciais de rendimento) das obrigações destes quatro países face aos Bunds alemães têm-se alargado nos últimos meses, refletindo o ceticismo dos investidores sobre a capacidade — ou vontade política — destes governos em controlar as contas públicas.
Um gestor de fundos citado pelo “FT” afirmou que “os PIIGS já não são o problema principal. Hoje o risco está concentrado nos grandes países com dívidas insustentáveis e sem vontade real de fazer ajustes estruturais profundos”.
A mudança de narrativa ocorre num momento em que o Banco Central Europeu (BCE) prepara o terreno para uma política monetária mais flexível, mas os mercados questionam se isso será suficiente para compensar os riscos fiscais crescentes na segunda maior economia da zona euro (França) e na terceira (Itália).
Analistas alertam que os BIF representam um risco maior para a estabilidade da zona euro do que o antigo grupo dos PIIGS precisamente por envolverem economias de maior dimensão e maior interligação com o sistema financeiro europeu.

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