Choque do Irão não derruba emprego na Zona Euro mas salários reais vão cair
O emprego na Zona Euro demonstrará resiliência apesar do choque de oferta do Irão, de acordo com a Oxford Economics.
“Apesar de mais fraco do que em 2022, o mercado de trabalho da Zona Euro deverá aguentar o novo choque de oferta provocado pelo conflito no Irão, com o emprego a revelar uma resiliência surpreendente”. Esta é a principal conclusão de um relatório da Oxford Economics divulgado hoje, que prevê que as empresas optem por congelar contratações em vez de procederem a despedimentos em massa, mantendo o desemprego perto do mínimo histórico.
O documento prevê que o PIB sofra um impacto muito maior do que o emprego ao longo de 2026. O crescimento do emprego deverá ficar abaixo de 0,1% em cada trimestre – o ritmo mais lento desde 2013 –, mas a taxa de desemprego mal deverá mexer, fixando-se em média nos 6,2%. As revisões em baixa do emprego foram modestas e uniformes na maioria dos países, com Itália e França ligeiramente mais afetadas.
O economista sénior Leo Barincou, autor do estudo, explica que o choque atual é “temporário e de menor escala” do que a crise energética de 2022-2023
A natureza temporária do choque e a contínua fraqueza da oferta de mão-de-obra deverão dissuadir as empresas de realizarem grandes cortes de emprego. “Em vez de um declínio direto no emprego total, esperamos que as novas contratações diminuam para um nível próximo do congelamento, exacerbando as tendências existentes no mercado de trabalho”, disse o economista sénior Leo Barincou. “Os dados mais recentes sugerem que o mercado de trabalho estava num estado de ‘poucas contratações e poucas demissões’ no final de 2025, com as taxas de transição para o desemprego e para fora dele nos seus níveis mais baixos alguma vez registados”, acrescentou.
Embora a taxa de desemprego esteja em mínimos recorde de 6,3% no início de 2026, os indicadores mostram um mercado de trabalho bastante mais frouxo: as vagas e as escassez de mão-de-obra regressaram aos níveis pré-pandemia e o “labour hoarding” (acumulação de trabalhadores) das empresas diminuiu drasticamente.
“Faltas de mão-de-obra e vagas estão marcadamente abaixo dos picos e agora estão de volta aos níveis pré-pandemia”, refere o relatório. “As empresas não vão correr para decisões de despedimento difíceis de reverter, dada a natureza temporária do choque e a rigidez do mercado de trabalho europeu.”
Apesar da magnitude do choque, a Oxford Economics prevê que a taxa de desemprego mal se altere em relação ao seu atual nível recorde de baixa e se situe em média nos 6,2% em 2026.
No entanto, a resiliência tem um preço para os trabalhadores. Tal como aconteceu na crise energética anterior, as empresas vão transferir os custos para os preços mais rapidamente do que os salários conseguem ajustar-se. As horas trabalhadas e os salários reais serão as principais variáveis de ajustamento. O relatório nota que “as horas trabalhadas recuperaram timidamente do mínimo dos últimos trimestres, proporcionando alguma almofada” e que os salários reais deverão cair novamente para proteger as margens das empresas, que já estão historicamente baixas.
O instituto diz ainda que este impacto limitado no emprego está condicionado à permanência do choque de oferta do Irão como altamente temporário, com o tráfego através do Estreito de Ormuz a começar a ser retomado em Maio e os preços do petróleo a descerem acentuadamente no terceiro trimestre.
Se a disrupção se prolongar, o impacto no emprego aumentará drasticamente, com as empresas a recorrerem aos despedimentos em vez de continuarem a absorver o choque.
“A título de exemplo, o nosso cenário mais pessimista — em que o estreito permanece bloqueado durante seis meses — leva a uma contracção do emprego, embora esta permaneça moderada, com o desemprego a atingir um pico ligeiramente inferior a 7%”, acrescentou Barincou.
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