Ciberataques são considerados como principal ameaça para as empresas
Uma das principais ameaças que as empresas portuguesas enfrentam nos tempos de hoje são os ataques cibernéticos, segundo revela o estudo ‘A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos’, da Marsh.
O estudo demonstra que 53% das organizações aponta esta como a maior ameaça. Esta é uma mudança de paradigma face ao ano passado, quando a maior preocupação era a instabilidade política e social.
Este aumento revela um aumento da frequência e da sofisticação das ameaças, como ransomware, phishing e violações de dados, assim como uma crescente dependência das organizações de infraestruturas tecnológicas.
O aceleramento da digitalização expôs vulnerabilidades, que necessitam de respostas mais robustas, quer a nível de investimento em cibersegurança quer na capacitação das equipas. Aliado à digitalização, a escassez de talento especializado também dificulta a capacidade de prevenção e de resposta eficaz a incidentes.
Para além dos riscos tecnológicos, os desafios relacionados com pessoas e ambiente continuam a ocupar posições de destaque, assim como a retenção de talento, que foi identificado como o segundo maior risco identificado pelas empresas.
O estudo revela que apesar de termos um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e global, as empresas enfrentam uma dificuldade crescente em atrair e reter profissionais qualificados.
Os eventos climáticos extremos também são uma das preocupações centrais, tendo sido identificados por 38% das empresas portuguesas como um risco relevante para este ano.
“À escala global, esta preocupação é ainda mais evidente: os eventos climáticos extremos são apontados por 50% das empresas como o principal risco para 2026”, lê-se em comunicado.
As dinâmicas geopolíticas continuam a pesar para as empresas na sua perceção de risco. Cerca de 37% das organizações aponta o confronto geoeconómico como um dos riscos mais relevantes.
“Esta tendência acompanha a evolução do contexto internacional, onde as tensões entre potência e a fragmentação das cadeias de valor globais têm gerado maior incerteza e volatilidade”, refere o estudo.
Estas falhas afetam as empresas portuguesas, que dependem fortemente do comércio global, e representam riscos significativos, desde atrasos, aumento de custos e dificuldades na obtenção de matérias-primas e produtos essenciais.
A perceção a nível global das empresas portuguesas é de um ambiente de risco cada vez mais diversificado e interligado.
Segundo o estudo, 31% das empresas identificam a desinformação com um dos principais riscos emergentes. Este fenómeno está associado à proliferação de conteúdos falsos e à manipulação da informação, algo que representa um desafio crescente para as organizações.
Fernando Chaves, risk specialist da Marsh Risk Portugal, afirma que “a análise da evolução dos últimos anos evidencia que as empresas portuguesas estão hoje mais conscientes da complexidade e da interdependência dos riscos que enfrentam. No entanto, essa mesma complexidade traduz-se também num aumento da exposição e na necessidade de respostas mais integradas”.
“Num ambiente marcado por mudanças rápidas, transformação tecnológica e incerteza global, a gestão de risco assume um papel cada vez mais estratégico. A capacidade de antecipar cenários, investir em inovação e desenvolver uma cultura de risco será determinante para garantir a sustentabilidade e a competitividade no médio e no longo prazo”, refere.
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