African Bank of Oman inicia operações em Angola liderado por António Dinis Mendes
O African Bank of Oman (ABO) integra oficialmente o setor financeiro angolano. Liderado pelo Executivo português António Dinis Mendes, ex-presidente do Standard Invest, a nova instituição apresenta-se como um banco corporativo e de investimento especializado em banca transacional e trade finance, com objetivos orientados para o reforço da ligação ao Médio Oriente e aos mercados internacionais.
“O ABO é o primeiro banco de capital estrangeiro a ser constituído em Angola como instituição verdadeiramente angolana. Não é uma filial, não é uma sucursal e não tem uma casa-mãe que impõe a forma de trabalhar e de quem depende. Nasceu aqui. Tem raízes aqui. E é daqui que vai crescer”, explica o CEO do African Bank of Oman, António Dinis Mendes, citado num comunicado enviado ao Jornal Económico (JE) a propósito do lançamento oficial.
“Esta distinção não é apenas jurídica. É uma declaração de intenções. Significa que quando tomamos uma decisão, essa decisão serve Angola, e serve-a em primeiro lugar”, acrescentou o mesmo responsável.
O novo banco de Omã, – o 22.º banco com operações no país -, foi inaugurado esta quinta-feira, tendo iniciado atividade no dia 31 de março após aprovadas as respetivas licenças e registo junto do Banco Nacional de Angola (BNA).
Segundo o vice-governador do banco central angolano, Domingos Pedro, presente no evento de lançamento, a “nova instituição desempenhará um papel relevante na geração de empregos, na promoção da inclusão financeira, através da expansão do acesso da população aos serviços bancários, do apoio às pequenas e médias empresas e da canalização eficiente de recursos financeiros para a economia real, em particular para setores estratégicos que sustentem a diversificação económica do país”.
VdA e PRIME Advogados apoiaram constituição e entrada do African Bank of Oman em Angola
A estrutura acionista do banco, que inicia atividade com um capital social inteiramente subscrito de 20 milhões de dólares (cerca de 18,2 mil milhões de kwanzas), é constituída pelas sociedades omanenses New Horizons Development LLC, com maioria (60%), Western Ocean Investment LLC (20%), Southern Ocean Investment LLC (15%), Renaissance National Development LLC (2,5%) e Northern Breeze Investment SPC (2,5%).
Com uma estratégia que segue as prioridades da Estratégia Angola 2050 e pela Oman Vision 2040, o AFO quer acompanhar, numa fase inicial, meia centena de multinacionais, empresas locais e entidades relacionadas com o Estado que operam em Angola, “estando prevista uma estratégia de expansão gradual para apoiar fluxos mais amplos de comércio e investimento entre África e o Médio Oriente”, lê-se na mesma nota.
“O ABO pretende contribuir ativamente para os objetivos da Estratégia Angola 2050, mobilizando capital, conhecimento e experiência internacional, em particular da região do Golfo. Mas o nosso compromisso vai além da banca tradicional. Acreditamos no poder da inovação e da transformação digital para alargar o acesso aos serviços financeiros, melhorar a experiência dos clientes e contribuir para a modernização da economia”, defendeu Tariq Ateeq, presidente do Conselho
de Administração do novo banco.
A estratégia da administração para o período 2026–2028 segue uma abordagem faseada, focada na consolidação das operações core e na construção de uma base sólida de clientes. O ABO, que assume uma atuação no apoio a clientes corporativos e institucionais com enfoque nos setores estratégicos da energia, mineração, infra-estruturas, agricultura, logística, telecomunicações e indústria, conta atualmente com uma equipa de 26 trabalhadores.
Cooperação bilateral entre Luanda e Mascate
No final de 2024, Angola e Omã estruturaram uma nova fase de cooperação através de quatro instrumentos jurídicos – dois acordos para o setor dos diamantes, um memorando de entendimento para o setor do Petróleo e um o Ministério das Finanças de Angola e o Banco de Investimentos omanense, durante uma visita do Presidente João Lourenço a Mascate.
Mais recentemente, no início de 2026, os dois países reiteraram a vontade e necessidade de reforçar a cooperação bilateral em áreas estratégicas de interesse comum numa reunião co-presidida pelo diretor para África, Médio Oriente e Organizações Regionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Jorge Cardoso, e pelo Embaixador do Sultanato de Omã acreditado na África do Sul, com estatuto de não residente em Angola, Ali Said Al Kathiri.
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