Atrasos nos aeroportos portugueses afetam mais de dois milhões de passageiros no arranque de 2026
Mais de dois milhões de passageiros que partiram de aeroportos portugueses no primeiro trimestre de 2026 foram afetados por atrasos, cancelamentos ou outras perturbações. Os dados, divulgados pela AirHelp, empresa líder em tecnologia de compensação de passageiros aéreos traçam um retrato de um setor em crescimento — mas também mais pressionado.
Entre janeiro e março, passaram pelos aeroportos nacionais cerca de 6,47 milhões de passageiros, distribuídos por quase 50 mil voos. Ainda assim, apenas 63,8% das viagens decorreram dentro do horário previsto. No total, 36,2% dos voos sofreram algum tipo de perturbação, uma subida significativa face ao período homólogo.
O aumento do tráfego ajuda a explicar a tendência. Em comparação com 2025, registaram-se mais 11% de voos e mais 7% de passageiros. Mas o crescimento veio acompanhado por uma deterioração do desempenho operacional: o número de voos afetados subiu cerca de 13%.
Apesar de a maioria das disrupções corresponder a atrasos curtos, sem direito a indemnização, mais de 63 mil passageiros poderão reclamar compensações financeiras — nomeadamente em casos de atrasos superiores a três horas, cancelamentos de última hora ou perda de ligações.
Lisboa volta a liderar nas perturbações
Entre as infraestruturas aeroportuárias, o padrão mantém-se. O Aeroporto de Lisboa continua a destacar-se negativamente, com 39% dos voos afetados — a taxa mais elevada do país.
Em contraciclo, o Aeroporto de Faro e o Aeroporto do Porto revelam melhor desempenho, com 73% e 72% dos voos, respetivamente, a cumprirem os horários previstos.
TAP melhora, mas mantém nível elevado de incidentes
A TAP Air Portugal continua a ser a transportadora com maior volume de passageiros a partir de Portugal, tendo ultrapassado os dois milhões no primeiro trimestre. Cerca de 63% dos seus voos decorreram sem incidentes, enquanto 37% registaram perturbações — um valor ainda elevado, mas ligeiramente melhor face a 2025.
Mais de 10 mil passageiros da companhia estarão elegíveis para compensação.
Direitos dos passageiros em causa
O enquadramento legal europeu continua a assegurar proteção aos viajantes. Ao abrigo do Regulamento CE 261/2004, passageiros afetados por atrasos prolongados, cancelamentos ou overbooking podem receber indemnizações até 600 euros, além de assistência e reembolso de despesas.
No entanto, a AirHelp alerta para um possível retrocesso. Segundo a empresa, estão em discussão alterações a nível europeu que poderão reduzir drasticamente o número de situações elegíveis para compensação — potencialmente excluindo mais de 60% dos atuais pedidos.
Perante este cenário, a recomendação mantém-se: guardar toda a documentação da viagem e registar eventuais despesas pode fazer a diferença no momento de reclamar direitos.
Num setor que continua a crescer, os dados do início de 2026 sugerem que a pressão sobre aeroportos e companhias aéreas permanece elevada — e que a pontualidade ainda está longe de acompanhar o ritmo da procura.
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