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Autoridades alertam que últimos modelos de IA podem ameaçar o sistema bancário mundial

Autoridades alertam que últimos modelos de IA podem ameaçar o sistema bancário mundial

esponsáveis financeiros internacionais alertaram que os mais recentes modelos de Inteligência Artiticial (IA) de empresas tecnológicas norte-americanas podem ameaçar o sistema bancário mundial, ao expor fragilidades nas defesas de cibersegurança das instituições financeiras.
De acordo com o jornal espanhol “Expansion”, esta semana, enquanto ministros das Finanças, banqueiros centrais e reguladores se reuniam em Washington para os encontros do FMI e do Banco Mundial, o tema dominante foi a preocupação com o mais recente modelo de IA desenvolvido pela startup Anthropic, sediada em São Francisco.
“É um desafio muito sério para todos nós. Recorda-nos a rapidez com que o mundo da IA avança”, afirmou Andrew Bailey, governador do Banco de Inglaterra e presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, organismo regulador global.
Andrew Bailey acrescentou que os reguladores globais terão de avaliar rapidamente a potencial ameaça à cibersegurança do sistema financeiro representada pelo novo modelo Claude Mythos Preview da Anthropic.
Até há pouco mais de uma semana, os responsáveis políticos esperavam que as reuniões do FMI e do Banco Mundial se centrassem no conflito no Médio Oriente, nas tensões no mercado de crédito privado e nos elevados níveis de dívida pública. Em vez disso, a capacidade dos novos modelos de IA para causar perturbações no sistema bancário mundial tornou-se o único tema de conversa.
“A evolução da tecnologia digital coloca enormes riscos do ponto de vista da cibersegurança. Este assunto vai ganhar cada vez mais relevância na agenda internacional nos próximos meses”, disse Dan Katz, subdirector do FMI e antigo chefe de gabinete do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, considerou que “a evolução que vimos com a Anthropic e o Mythos é um bom exemplo de uma empresa responsável que de repente pensa: ‘Isto pode ser muito bom, mas se cair nas mãos erradas, pode ter enormes repercussões’”.
Alguns funcionários pediram uma resposta internacional coordenada face à ameaça do Mythos, que, segundo a Anthropic, detectou milhares de vulnerabilidades graves, incluindo em todos os principais sistemas operativos e navegadores web. A empresa advertiu que estas capacidades se expandiriam rapidamente, possivelmente para além dos actores comprometidos com a sua utilização segura, e que “as consequências para a economia, a segurança pública e a segurança nacional poderiam ser graves”.
“Todos querem ter um quadro de actuação”, declarou Lagarde à Bloomberg TV, acrescentando que “não creio que exista um quadro de governação que supervisione estas questões. Temos de trabalhar nisso”.

Até ao momento, a Anthropic partilhou o Mythos apenas com um grupo de cerca de 40 empresas, entre as quais a Amazon, a Apple e o JPMorgan Chase, dando-lhes a oportunidade de experimentar o modelo e começar a corrigir as vulnerabilidades identificadas nos seus sistemas. Na semana passada, Bessent reuniu líderes de alguns dos maiores bancos de Wall Street e Jay Powell, presidente da Reserva Federal, para analisar as vulnerabilidades reveladas pelo Mythos, ao qual se acredita que alguns altos responsáveis públicos norte-americanos têm acesso.
Funcionários em Washington afirmaram que esta tecnologia representa uma mudança fundamental no equilíbrio entre atacantes e defensores de sistemas de informação, devido à sua capacidade para encadear de forma autónoma múltiplas vulnerabilidades de software a uma escala que ultrapassa a capacidade humana.
Embora impressionados e alarmados com a capacidade do Mythos para decidir autonomamente como abordar os problemas, os responsáveis manifestaram preocupação com a falta de regulação para as empresas de IA, indicando estar a ponderar colaborar com empresas tecnológicas, incluindo a Anthropic.
Ainda assim, alguns reguladores e executivos europeus afirmam desconhecer as potenciais vulnerabilidades reveladas pela mais recente tecnologia de IA, uma vez que a maioria não teve acesso ao novo modelo nem conseguiu avaliar o nível de ameaça que pode representar. Questionado sobre como a Autoridade Bancária Europeia (ABE) está a responder às preocupações com o Mythos, François-Louis Michaud, o seu novo director, declarou que “é um processo que está a começar e estamos agora a analisar qual é a resposta adequada”.
Michaud e outros reguladores europeus referiram que, durante vários anos, se têm concentrado nas ameaças de cibersegurança ao sistema bancário — tema que se intensificou após a invasão da Ucrânia em 2022 —, incluindo a avaliação dos novos riscos potenciais decorrentes da computação quântica. Altos executivos europeus de um grande banco e de um grupo de infraestrutura financeira disseram ao “Financial Times”, à margem das reuniões em Washington, que ainda não tiveram oportunidade de testar o Mythos.
A OpenAI, criadora do ChatGPT, anunciou esta quinta-feira que partilharia o seu mais recente modelo, concebido para a cibersegurança, com um número limitado de fornecedores, organizações e investigadores de segurança seleccionados para avaliação. A empresa explicou que o novo modelo, GPT-5.4-Cyber, foi “optimizado para oferecer capacidades cibernéticas adicionais e com menos restrições”.
Os presidentes executivos dos principais bancos norte-americanos confirmaram esta semana que estão a trabalhar com uma versão beta do modelo Mythos da Anthropic. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, afirmou que o novo modelo de IA “apresenta numerosas vulnerabilidades que têm de ser corrigidas”. Já Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, sublinhou as melhorias de produtividade antecipadas com a IA: “A IA é nossa aliada. É a mais recente geração de tecnologia que se integrará no ecossistema. Estamos a trabalhar com o Claude Mythos, a versão beta, e a analisar diferentes áreas da infraestrutura onde veremos uma melhoria contínua.”

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