Caixa celebra 150 anos com nova sede e aposta na IA
A Caixa Geral de Depósitos (CGD), que celebra 150 anos e partilha instalações com a sede do Governo, vai mudar de “casa” este ano. Os 2.500 trabalhadores dos serviços centrais passarão a ocupar o WellBe, na Avenida Dom João II, no Parque das Nações. A nova sede, composta por três volumes, contará com 27.635 metros quadrados de escritórios e 1.240 metros quadrados de área comercial. Rodeado de vegetação, o edifício dispõe de 400 lugares de estacionamento e integra soluções pensadas para um maior conforto e funcionalidade dos trabalhadores. A CGD fechou o acordo para a aquisição do imóvel em fevereiro de 2024, à Tage Une Fois – detida pelos grupos Atenor e Besix Real Estate Development –, e as suas instalações vão distribuir-se por 11 pisos. O conjunto afasta-se do modelo tradicional de escritório e aposta numa lógica mais dinâmica. O open space é predominante, embora estejam previstos gabinetes e pequenas salas insonorizadas. O projeto inclui ainda áreas de convívio e zonas de lazer que incentivam a pausa e a partilha de ideias, refletindo uma cultura de trabalho mais flexível e centrada no bem-estar.
A preocupação com o detalhe estende-se também à mobilidade e sustentabilidade: haverá estacionamento para bicicletas, balneários, duches e cacifos, promovendo rotinas mais saudáveis. A localização foi igualmente pensada de forma estratégica. Inserido numa zona bem servida de transportes públicos, o WellBe permite reduzir a dependência do automóvel e simplificar a vida dos colaboradores, que foram chamados a participar no processo de decisão. O edifício foi pensado para ser energeticamente eficiente (gastará 30% menos energia) e garante acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida.
“Ao assinalar os 150 anos, a Caixa afirma uma nova etapa com uma assinatura que traduz essa ambição: ‘Voltados para o Futuro’. Uma Caixa que conjuga confiança com inovação, que investe em tecnologia, que simplifica processos e que procura estar cada vez mais próxima dos seus clientes, seja na agência, nos canais digitais ou em novas formas de interação. Terá mais clientes digitais, mas manterá a sua rede de agências no país, complementando-a com mais e novos gabinetes de empresas. Os serviços centrais irão operar a partir da Caixa Sede, que será inaugurada ainda este ano. Reduzirá os tempos de espera, melhorará a sua agilidade e o serviço ao cliente, com utilização de IA, com colaboradores com mais competências (hoje, 82% dos colaboradores são licenciados), e com uma maior personalização do serviço ao cliente”, diz Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, ao Jornal Económico.
Um banco universal
Ao longo de século e meio, a história do banco confunde-se com a própria história económica e social de Portugal, deixando uma marca profunda na vida de milhões de portugueses. A Caixa foi fundada por Carta de Lei de 10 de abril de 1876, no reinado de D. Luís, num contexto de crise financeira e com a missão clara de estabilizar as contas públicas e devolver confiança ao país. Foi determinado que seria administrada pela Junta de Crédito Público. A cada depositante era entregue uma caderneta onde se registavam, por débito e crédito, todos movimentos em conta-corrente. Este documento era requerido sempre que era realizada uma operação de entrada ou de levantamento. As primeiras agências, criadas em 1910, nasceram estrategicamente em Alcântara e Xabregas, nas zonas densamente povoadas e de forte atividade industrial. “Essa relação de confiança foi sendo construída, ano após ano, numa presença consistente e visível no território, materializada na prestação de serviços financeiros enquanto banco universal, através de uma rede de agências que marcou a paisagem urbana e a vida das comunidades. Ao longo de 150 anos, a Caixa ergueu, de raiz, quase duas centenas de edifícios que se tornaram símbolos de solidez e sobriedade. Mais do que espaços físicos, estas agências afirmaram-se como pontos de contactos essenciais, muitas vezes o único acesso ao sistema financeiro em várias regiões, traduzindo, na prática, uma missão de serviço público e de inclusão”, acrescenta Paulo Macedo.
Financiar o país
Desde cedo, a Caixa assumiu um papel ativo no financiamento da economia e no apoio a projetos estruturantes para o país. Destaca-se, nesse percurso histórico, o seu contributo para a modernização de Portugal, nomeadamente através do financiamento da eletrificação do país a partir da década de 1940, apoiando projetos como a barragem de Castelo de Bode, fundamental para o desenvolvimento económico e industrial nacional. Esse papel estruturante manteve-se ao longo das décadas, acompanhando os diferentes ciclos económicos e as necessidades do país. “Hoje, a Caixa continua a afirmar esse papel de forma muito concreta. Em 2025, o financiamento concedido pela Caixa a particulares e empresas ascendeu a cerca de 29 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 10% do PIB nacional, refletindo a sua relevância no apoio direto à economia portuguesa. E tem capacidade para assim continuar. Se adicionalmente ao financiamento desembolsado acrescentarmos o valor já contratado e disponível para ser utilizado pelas empresas, o apoio a estas traduz-se em mais de 50 mil milhões de euros (cerca de 18% do PIB). E se a este montante somarmos o valor de financiamento já aprovado, em termos de risco e disponível para ser contratado, então o apoio às empresas ultrapassa os 95 mil milhões de euros (aproximadamente 33% do PIB)”, afirma Paulo Macedo ao Jornal Económico.
Mais tarde, a lei orgânica de 1969 veio alterar profundamente o enquadramento jurídico da instituição, conferindo-lhe a estrutura empresarial que está na origem da sua gradual aproximação às restantes instituições de crédito, enquadrando-se no perfil de empresa pública, dotada de autonomia administrativa e financeira. Mais tarde, o decreto-Lei n. º 287/93 de 20 de agosto, transformou a Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência em sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, passando a denominar-se como Caixa Geral de Depósitos, S.A. Em julho de 2001, deu-se a Incorporação do Banco Nacional Ultramarino na CGD, por via da fusão jurídica das duas instituições.
“Ao longo de gerações, a Caixa esteve presente nos momentos decisivos da vida de famílias e empresas, nomeadamente no financiamento a longo prazo, desde logo à habitação, no financiamento ao investimento, na promoção da poupança e possibilitando a concretização de inúmeros projetos. Foi pioneira no crédito à habitação em Portugal, financiando desde cedo projetos de habitação própria, nomeadamente através das chamadas Casas Económicas, numa lógica clara de inclusão e apoio às famílias. Esse compromisso mantém-se até hoje: a Caixa é líder no financiamento da habitação, onde há mais de 20 anos representa mais de 20% deste tipo de financiamento. Só em 2025 realizámos mais de 28 mil financiamentos a habitação própria e permanente, e fomos a escolha de um em cada três jovens na compra da sua primeira casa. A Caixa financia um total de aproximadamente 325 mil casas em Portugal”, explica Paulo Macedo.
Na última década, o banco estatal tem registado um progresso assinalável. Em 2016, a Caixa Geral de Depósitos apresentou um prejuízo de 1.859 milhões de euros, depois do reconhecimento de mais de três mil milhões de euros de imparidades. A impedir que os prejuízos fossem mais expressivos esteve a fatura fiscal. A CGD teve uma poupança fiscal de 827 milhões de euros através de impostos diferidos, que existem na base de o banco apresentar resultados positivos no futuro. De facto, em 2017, a implementação do Plano Estratégico CGD 2020 foi concluído com sucesso, resultando na melhoria dos níveis de eficiência e rentabilidade e gerando um resultado líquido consolidado de 52 milhões de euros. Os anos seguintes ficariam também marcados por um reforço assinalável da rentabilidade, eficiência, qualidade dos ativos e solvabilidade. No espaço de uma década, o banco passou de 8.410 trabalhadores e 764 agências para os atuais 5.856 trabalhadores e 512 agências.
Além disso, em 2025 obteve o maior resultado de sempre da banca portuguesa, de 1,9 mil milhões de euros, permitindo a distribuição de 1,25 mil milhões em dividendos ao Estado. “Num contexto global marcado por incerteza, tensões geopolíticas e exigências crescentes, regulatórias, ambientais e tecnológicas, a Caixa entra neste novo ciclo com bases sólidas em termos europeus, onde é benchmarketing em várias áreas: um balanço robusto, liquidez confortável e uma governação alinhada com as novas práticas europeias, com o objetivo de continuar a afirmar um papel ativo no país, investindo na modernização, na inovação e na melhoria contínua do serviço. Nada disso seria possível sem o trabalho das equipas com as pessoas certas. A Caixa é hoje distinguida como a marca bancária mais valiosa em Portugal e como o Banco com maior confiança para os portugueses”, conclui Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, ao Jornal Económico.
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