Cinco candidatos a uma cadeira e várias ideias para a U.Porto
Dos cinco apenas um se sentará na cadeira como 21.º reitor, sucedendo a António de Sousa Pereira. A corrida faz-se entre três respeitados professores catedráticos da Universidade, um italiano e um nigeriano.
Os candidatos incluem um ex-secretário de Estado do Ensino Superior, um reconhecido especialista em cibersegurança, privacidade e proteção de dados e o diretor da Faculdade de Medicina que esteve envolvido na polémica do concurso especial de acesso para licenciados em Medicina, que o opôs ao reitor cessante e meteu à liça o ministro Fernando Alexandre. Também vão a votos um professor e investigador na Universidade Federal de Tecnologia de Minna, Botsuana, e o ex-reitor da Universidade de Messina, Itália.
Pedro Nuno Teixeira, Luís Antunes, Altamiro da Costa Pereira, Lasisi Salami Lawal e Salvatore Cuzzocrea apresentam as suas propostas em audição pública nos dias 23 e 24 de abril. No final, o Conselho Geral, composto por 23 membros e presidido por Fernando Freire de Sousa, elege o reitor. São necessários mais da metade dos votos, se não acontecer, haverá uma segunda volta entre os dois mais votados.
O modelo de organização e gestão da Universidade é uma questão central nos programas de ação dos três professores da U.Porto que concorrem ao cargo.
Luís Antunes, que integrou por duas vezes o Conselho Geral, mas nunca fez parte dos orgãos de gestão, considera que o modelo atual “esgotou o seu prazo de validade”. Com 15 unidades orgânicas, mais de 33 mil estudantes, cerca de 2500 docentes e investigadores e um orçamento consolidado superior a 420 milhões de euros em 2024, a U.Porto “tem todas as condições para se tornar uma das melhores universidades da Europa”.
O desiderato atinge-se com concentração de saberes e agilidade de decisão, ou seja, com um ecossistema integrado, diz o candidato, que propõe a criação de quatro grandes agrupamentos. O primeiro, Engenharia, Ciência e Tecnologia, agregando funcionalmente a FEUP e a FCUC, daria origem a “uma das maiores escolas tecnológicas da Europa com capacidade para atrair financiamento de grande escala”. O segundo – Ciências da Saúde e da Vida – juntando as Faculdades de Medicina (FMUC, ICBAS, FMDUP)com as Faculdades de Ciências da Nutrição e Alimentação, do Desporto e a Escola Superior de Enfermagem seria vantajoso na “partilha de plataformas tecnológicas pesadas”, “desenho de curriculum integrados” e preparação de profissionais para equipas multidisciplinares. O terceiro agrupamento concentrando Arquitetura e Belas Artes protege a “identidade única” da Escola do Porto, e o quarto grupo funcional composto pelas Faculdades de Letras, Psicologia e Ciências da Educação, Direito e Economia seria uma “voz política unificada e forte” em áreas subfinanciadas.
Altamiro da Costa Pereira defende, por seu turno, a “simplificação administrativa e a flexibilização organizacional”. Terá vantagens na diminuição da carga burocrática e dará maior autonomia às unidades orgânicas na gestão de recursos humanos, financeiros e académicos.
O diretor da Faculdade de Medicina, que vai a votos pela terceira vez, defende a necessidade de “planear e preparar um novo campus universitário na Área Metropolitana do Porto, capaz de responder às exigências de expansão científica, tecnológica e pedagógica das próximas décadas”. No seu plano de ação destacam-se propostas na área da valorização de recursos humanos.
Para Pedro Nuno Teixeira, que já foi vice-reitor e teve a tutela do Ensino Superior no Governo de António Costa, o futuro escreve- -se com “governação partilhada”, capaz de envolver “atores da comunidade académica, professores, investigadores, estudantes e quadros técnicos e operacionais”, através da auscultação e articulação entre os diversos níveis institucionais.
Já o italiano Salvatore Cuzzocrea aposta no reforço do papel da U.Porto como “Universidade de investigação” para se tornar “cada vez mais um centro de conhecimento internacional”. Defende “uma gestão sólida dos recursos” e a promoção de um ambiente de “trabalho positivo”.
No documento de candidatura apresentado, o nigeriano Lasisi Salami Lawal defende para a U.Porto “excelência académica e sucesso dos estudantes”, “investigação, inovação e transferência de conhecimento”, “internacionalização e parcerias”, “envolvimento social”, “sustentabilidade institucional, governação e transformação digital”.
A corrida ao cargo de reitor da U.Porto mobilizou 14 candidaturas, das quais nove excluídas por não cumprirem com tudo o que é exigido. Eram todos estrangeiros. O processo eleitoral decorre dentro da normalidade, “não se conhecendo nenhum problema”, diz fonte da Universidade ao Jornal Económico. O fumo branco chega de hoje a oito dias. Nove das 14 candidaturas apresentadas foram excluídas por não cumprirem com tudo o que é exigido. A jogo vieram três portugueses e estão todos na corrida.
O processo eleitoral decorre dentro da normalidade, “não se conhecendo nenhum problema”, diz fonte da Universidade ao Jornal Económico. O fumo branco chega de hoje a oito dias.
Foto: DR
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