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Crise na restauração? Governador do Banco de Portugal desvaloriza

Crise na restauração? Governador do Banco de Portugal desvaloriza

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, desvalorizou nas redes sociais a crise no setor da restauração. O post surge poucas horas depois de a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, ter pedido um “reforço do apoio a fundo perdido” para o setor da restauração, porque “a situação agravou-se”. Álvaro Santos Pereira, que não faz referências à entrevista concedida à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, apresenta vários números para provar que o setor, afinal, não está em crise.
“Nos últimos meses tem-se falado muito de uma eventual crise no sector da restauração, com os representantes do sector a pedirem ajudas públicas e descidas de impostos. Será assim? O que é que nos dizem os números?”, começa por referir Álvaro Santos Pereira nas redes sociais X e LinkedIn.
“Vejamos então: nos últimos anos, o sector da restauração cresceu bastante, graças à expansão do turismo e aumento do consumo. Desde 2019, a restauração cresceu 69% em termos nominais e 25% em termos reais”, afirmou o governador, que acompanhou o post com vários gráficos. “Esta tendência de crescimento continuou em 2025, embora de forma mais moderada. Porém, em 2025, o volume de negócios na restauração aumentou 2,9% em termos nominais, face a 2024”.
Apesar de os preços terem crescido 6%, “o que levou a uma queda do volume de negócios em termos reais”, sobretudo no último trimestre do ano passado, “os gastos (de portugueses e estrangeiros) em restaurantes aumentaram 2,7%, em termos reais”, acrescentou.
Por outro lado, nota ainda, “o emprego no setor da restauração tem crescido a um ritmo menor nos últimos anos e desacelerou em 2025”, mas, “em termos acumulados desde 2019, o setor registou um aumento dos trabalhadores por conta de outrem de 22%” e os salários por trabalhador “mantêm o dinamismo, crescendo em torno de 6% em 2025, e encontrando-se 39% acima do valor de 2019”.
“Será que os eventuais problemas do sector se refletem nas falências de restaurantes?”, questiona ainda o governador. “Se atentarmos para a evolução da criação e destruição de empresas no sector do alojamento e restauração (dados da Informa D&B), verificamos que em 2025 se criaram 4991 empresas enquanto que as saídas (falências) foram somente 1307”. E se forem usados os dados do E-fatura para o setor, “mesmo assim, houve uma criação líquida de empresas na restauração em 2025, embora menor”.
“E quanto às margens e resultados? Será que são as margens nos indiciam a propagada crise?”, pergunta também. “As margens no setor da restauração têm permanecido relativamente estáveis nos últimos anos e em valores próximos dos observados no período pré-pandemia”, conclui Álvaro Santos Pereira, que lembra ainda dados dos rácios de crédito vencido no alojamento (0,4%) e na restauração (2,1%), que se manteve “em níveis historicamente baixos”.
“Por outras palavras, em relação à crise na restauração, os números são de tal forma evidentes que falam por si”, conclui o governador.
Este texto surge depois de a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) ter pedido um reforço dos apoios prometidos pelo ministro da Economia, Castro Almeida, para reforçar a tesouraria das empresas do setor. Os apoios ainda estão “na gaveta”, segundo Ana Jacinto, mas a representante da restauração diz ter o compromisso do Governo de que a medida “é para ser implementada”.

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