Lazard escolhido para assessorar possível IPO da Fidelidade em 2027
A Bloomberg avança que a seguradora portuguesa Fidelidade escolheu o banco de investimento Lazard para assessorar o processo de uma eventual oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Lisboa. Fonte ligada ao processo diz ao Jornal Económico que processo de escolha de assessores financeiros está em curso e rejeita que a decisão formal esteja tomada.
A Bloomberg escreve que após um processo competitivo que envolveu várias consultoras financeiras e bancos de investimento, o banco francês Lazard terá sido o escolhido para acompanhar todo o trabalho preparatório da entrada em bolsa da maior seguradora nacional, controlada pelo conglomerado chinês Fosun International. A operação está apontada para 2027, ainda numa fase inicial de preparação.
De acordo com a agência norte-americana, a IPO poderá avaliar a Fidelidade em cerca de 3,5 mil milhões de euros. Em entrevista ao Jornal de Negócios, o CEO da empresa, Rogério Campos Henriques, afirmou que o valor poderá ser “bastante superior” a 3 mil milhões de euros.
As fontes contactadas pela Bloomberg alertam, no entanto, que os planos ainda estão numa fase preliminar e podem ser alterados ou até suspensos, dependendo das condições de mercado e das decisões dos acionistas.
A Fosun detém atualmente 85% do capital da Fidelidade, depois de ter adquirido 80% da empresa em 2014 por cerca de mil milhões de euros. Os restantes 15% pertencem à Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Tal como foi noticiado, a CGD está a avaliar a possibilidade de reforçar a sua participação na Fidelidade no âmbito da eventual IPO. O banco liderado por Paulo Macedo poderá aumentar a sua posição até aos 30%, embora o próprio CEO tenha afirmado publicamente que não existem negociações em curso com a Fosun e que a CGD analisará a hipótese “se houver um IPO”.
O Jornal Económico confirmou que a CGD mostrou disponibilidade para investir na Fidelidade que se prepara para ir para bolsa em 2027. No entanto, não há negociações entre a CGD e a Fosun para um investimento robusto no capital da seguradora, que teria de ser obrigatoriamente feito por venda direta.
Tanto o Lazard como a Fidelidade recusaram comentar o assunto quando contactadas pela Bloomberg.
Caso se concretize, a entrada da Fidelidade no principal índice da bolsa portuguesa (PSI) representaria a primeira grande cotação desde 2021, ano em que a Greenvolt (divisão de energias renováveis da Altri) integrou o então PSI-20. Atualmente, o “benchmark” nacional conta apenas com 16 empresas cotadas.
A operação, se avançar, será vista como um momento importante para o mercado de capitais português e um passo relevante na estratégia de desinvestimento parcial da Fosun na sua participação na seguradora.
Os planos iniciais da Fidelidade previam uma entrada em bolsa já em 2025, com a Luz Saúde (então subsidiária na área da saúde) a ser a primeira a cotar. Esse projeto acabou por não avançar: a gestora de hospitais privados foi vendida ao fundo australiano Macquarie por cerca de 310 milhões de euros.
Nos últimos anos, o grupo chinês tem procedido à venda de vários ativos para reduzir o seu elevado nível de endividamento, numa estratégia de reestruturação internacional.
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