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Irão parece disposto a negociar com os Estados Unidos

Irão parece disposto a negociar com os Estados Unidos

Num contexto em que as informações mudam a cada instante, as agências internacionais dão conta de que o Irão considera participar nas negociações de paz com os Estados Unidos no Paquistão. Segundo a agência Reuters um alto funcionário iraniano afirmou isso mesmo, após Islamabad, cujo governo lidera a mediação, ter tomado medidas para encerrar o bloqueio norte-americano aos portos iranianos – que é neste momento o grande obstáculo à presença dos iranianos. Mas, alerta a agência, não havia ainda uma decisão definitiva.
Para aumentar a incerteza, uma outra fonte da Reuters afirmava que o vice-presidente norte-americano, JD Vance, ainda estava nos Estados Unidos – ao contrário das informações veiculadas pela Casa Branca ao final da tarde do passado domingo, segundo as quais Vance estava a poucas horas de embarcar para o Paquistão. Apesar disso, no mesmo momento, Trump, afirmava à Fox News que o acordo com o Irão será assinado “hoje” no Paquistão, depois de, numa entrevista ao New York Post, ter revelado que Vance e a delegação norte-americana estavam a caminho de Islamabad para as negociações.
Com o cessar-fogo de duas semanas a atingir o seu termo, o temor da comunidade internacional é que, se as negociações não acontecerem, o novo prazo de mais duas semanas de cessar-fogo, que os Estados Unidos lançaram unilateralmente, possa deixar de ter efeito e a guerra regresso, no ponto em que foi suspensa há duas semanas. De qualquer modo, a possibilidade de o Irão estar presente já é uma evolução – uma vez que, há dois dias, a disposição do regime iraniano era de não estar presente em Islamabad.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmaeil Baghaei, disse esta segunda-feira que Washington demonstrou “não estar a levar a sério” o processo diplomático e que Teerão não mudaria as suas exigências. Desde o dia anterior que os Estados Unidos esperavam iniciar as negociações no Paquistão, o que ficava clara pelo aparato logístico que as forças armadas estavam a desenvolver junto do hotel em Islamabad que deveria receber as duas delegações. O Paquistão também preparou a cidade, para onde convocou quase 20 mil agentes de segurança.
Uma fonte da segurança paquistanesa disse que o principal mediador do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir, informou ao presidente dos Estados Unidos que o bloqueio era o principal obstáculo às negociações, e que Trump prometeu reconsiderar a posição norte-americana. Mas o certo é que o bloqueio aos portos iranianos foi mantido, ao mesmo tempo que o Irão voltou a impor o seu próprio bloqueio.
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que dispararam contra um navio cargueiro de bandeira iraniana que se dirigia ao porto de Bandar Abbas, no Irão, após um impasse de seis horas. O Comando Central dos EUA divulgou um vídeo mostrando fuzileiros navais descendo por cordas de helicópteros até à embarcação. Do seu lado, o exército iraniano afirmou que o navio vinha da China e acusou os Estados Unidos de “pirataria”.
 
Novas sanções dos EUA
Entretanto, o Departamento de Estado dos EUA revelou que está a agir para limitar a capacidade do Irão de gerar receitas, “no momento em que o país tenta manter o Estreito de Ormuz como refém”, refere nota oficial. Novas sanções foram lançadas, e “têm como alvo elementos do império multibilionário de contrabando de petróleo de Mohammad Hossein Shamkhani, que enriquece o regime iraniano e suas elites. As sanções também têm como alvo uma rede de troca de petróleo por ouro, a qual financia o Hezbollah e a Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica”.
“O regime iraniano continua a enriquecer elites corruptas, como a família Shamkhani, enquanto os iranianos sofrem com uma economia em deterioração. Da mesma forma, o regime direciona a riqueza do povo iraniano para o Hezbollah e outros terroristas no Médio Oriente. As sanções reforçam o nosso compromisso com a aplicação de pressão máxima sobre o Irão e seus grupos aliados terroristas”. As novas sanções são “a mais recente ronda de sanções direcionadas às vendas de petróleo iraniano e ao apoio aos grupos aliados terroristas do Irão”.
 
Novo encontro Líbano-Israel
Por outro lado, representantes israelitas e libaneses realizarão conversas em Washington na próxima quinta-feira, adiantou, segundo a Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. Os Estados Unidos sediarão novamente o encontro entre as partes, tal como sucedeu na segunda ronda. O secretário de Estado, Marco Rubio, presidiu a essa primeira ronda de negociações, a 14 de abril passado.
“Continuaremos a facilitar discussões diretas e de boa-fé entre os dois governos”, disse o porta-voz da do Departamento de Estado. Esta segunda ronda de negociações será a primeira entre os dois países desde que um cessar-fogo de dez dias entrou em vigor na passada quinta-feira – depois de uma forte pressão nesse sentido exercida por Trump junto do primeiro-ministro israelita. Benjamin Netanyahu – que tem um governo ‘infestado’ de extremistas de direita e fundamentalistas religiosos que são totalmente contra qualquer tipo de negociações, como aliás fizeram com o Hamas e Gaza.

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