IA, do Capex ao negócio
“Hoje, chamamos-lhe inteligência artificial. Daqui a dois anos, chamar-lhe-emos capex empresarial. E daqui a três anos, chamaremos apenas negócio”.
A afirmação de Kevin Warsh, nome apontado à liderança da Fed, sintetiza com precisão a normalização da Inteligência Artificial (IA) como a camada fundamental da economia global.
O próximo salto qualitativo, já em curso, é a ‘agentificação’. Ultrapassamos a fase dos chatbots de consulta para entrar na era dos agentes autónomos de execução. Já não se trata apenas de recorrer a uma base de dados interativa, mas de dotar as pessoas e as organizações de capacidades biónicas de produção e gestão de conhecimento. A IA está a evoluir de um auxílio passivo para um executor ativo, capaz de operar processos complexos de forma independente. Esta transição mudará radicalmente a estrutura das empresas, os modelos de negócio e a própria natureza do trabalho qualificado.
Nos EUA, a urgência em liderar esta vaga de inovação foi traduzida em política fiscal. A lei One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), de julho de 2025, permite a dedução imediata a 100% (full expensing) dos investimentos em IA. Ao tornar permanente a depreciação total no ano da aquisição de hardware (GPUs, CPUs e rede), o legislador americano estimula o fluxo de capital para a inovação. Esta medida não é apenas um incentivo; é uma ferramenta de monetização – sobretudo para grandes e lucrativos incumbentes – que fixa em solo americano as “fábricas de IA” e os centros de dados de nova geração, procurando a liderança do processo.
Contudo, a sofisticação dos modelos e o poder computacional exigido têm um denominador comum inegociável: a necessidade de eletricidade barata e abundante. Esta revolução industrial não vive apenas de algoritmos e silício; vive de gigawatts. A eficiência da IA é indissociável da estabilidade e do custo da rede elétrica. Geografias que não garantam independência e abundância energética perderão inevitavelmente a competitividade económica. Sem soberania energética, as soberanias digital, económica e política tornar-se-ão inviáveis.
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