Rui Madeira vence Rali das Camélias pela 4ª vez
Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva (Hyundai i20 N Rally2) voltaram a fazer história ao conquistar o Rali das Camélias pela quarta vez, numa edição que confirmou a vitalidade do automobilismo na região.
Rui Madeira / Nuno Rodrigues da Silva (Hyundai i20 N Rally2) venceram o Rali das Camélias pela quarta vez, numa prova competitiva, bem organizada e com muito público na estrada, a mostrar mais uma vez que a zona está cheia de adeptos ávidos de ralis. Numa prova em que grande percentagem dos espectadores só teve que ir buscar um banco à cozinha para se sentar e ver passar o rali, Gil Antunes / Diogo Correia (Skoda Fabia Rallye2 Evo) contribuíram imenso para a festa, ao darem muita luta ao ex-Campeões Mundiais de Grupo N, obrigando-os a puxar dos ‘galões’ para chegar ao triunfo que só ficou quase definido no primeiro troço da tarde.
O tempo que Carlos Fernandes / Valter Cardoso (Mitsubishi Carisma GT) perderam logo na primeira especial, que queriam muito vencer, pois também eles estavam a correr ‘em casa’ a quebra da transmissão dianteira tramou-os, atrasando-os o suficiente para já não conseguirem reagir quando tiveram o carro reparado.
Seja como for, o que conseguem fazer com um carro quase com diferença de 30 anos para os Rally2, é notável, mas isso já não nos admirada nada em Carlos Fernandes, que ainda assim, terminou no pódio.
Quem ficou pelo caminho foram André Cabeças/Bino Santos (Citroën C3 Rally2) quando já eram quartos a 19.9s da frente, com um problema na caixa de direção, que impossibilitou levar o carro até ao final da prova.
No quarto posto ficaram Afonso Santos / Alexandre Rodrigues (Peugeot 208 Rally4) com o jovem piloto de 18 anos a fazer uma bela exibição e um excelente treino para o Rally de Lisboa, isto depois de na semana passada ter sido quinto das duas rodas motrizes no Rali Terras d’Aboboreira. O jovem que foi no ano passado no FPAK Júnior Team venceu as 2RM no Rali das Camélias, e foi ao baralho ‘biscar’ um forte triunfo para a prova do CPR.
Quinto posto para Paulo Cruz / Ana Gonçalves (Mitsubishi Evo X) que é cliente assíduo do Rali das Camélias e obteve destra feita o seu melhor resultado de sempre na prova.
Bruno Carvalho / Flávio Vieira (Citroën Saxo S 1600) foram sextos, segundos das 2RM, Alexandre Ramos / Sandra Ramos (Peugeot 208 VTI), sétimos, terceiros das 2RM, com Pedro Leone / Bruno Ramos (Ford Escort RS Cosworth), Nelson Beato / João Beato (Citroën AX GTI ) e Rui Ferreira / João Miranda (Opel Astra GTC) a fechar o top 10.
Adalberto Melim / Paulo Dias levaram o seu Alfa Romeo 2000 GTV ao triunfo na Classe E, o melhores dos Históricos foram António Nunes / Alexandre Lopes (Datsun 1200), na classe X1-9, que teve muitos concorrentes o triunfo foi para Bruno Carvalho / Flávio Vieira (Citroën Saxo S 1600) com 54.0s de avanço para Nelson Beato / João Beato (Citroën AX GTI ).
Paixão e compromisso com a história
O regresso em 2018 devolveu Sintra, Mafra e outros locais aos ralis, e a prova sobrevive – e bem – oito anos depois, fruto do grande trabalho do CMS (Clube de Motorismo de Setúbal). Este clube deu continuidade ao evento mesmo após o desaparecimento de Luís Caramelo, o impulsionador da recuperação do Rali das Camélias.
Em 2018, a prova marcou o reencontro dos ralis com Sintra, Cascais e Mafra, após uma longa ausência da competição moderna. Este processo foi liderado por Luís Caramelo e pelo Clube de Motorismo de Setúbal, exigindo anos de preparação, negociação institucional e adaptação a um território muito mais condicionado do que no passado, devido à enorme expansão de pessoas e habitações. A edição de regresso de 2018 foi muito mais do que uma simples reposição histórica; confirmou que uma prova emblemática podia voltar a existir num contexto bastante diferente daquele que ditara o seu desaparecimento décadas antes.
Um regresso desafiador
A reativação não foi imediata nem simples. Luís Caramelo explicou, na altura, que a ideia foi construída ao longo de três anos e só avançou após entendimento entre autarquias, entidades ambientais e florestais, forças de segurança e a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK). Tratou-se de um equilíbrio delicado entre ambição desportiva e viabilidade operacional.
O desafio era maior porque a região, sobretudo a área de Mafra e o Parque Natural de Sintra-Cascais, estava muito mais povoada e regulada do que no tempo áureo da prova. Isto obrigou a desenhar um rali possível, e não apenas um rali desejado. Ainda assim, o regresso teve forte adesão de público e concorrentes, ajudando a provar que o distrito de Lisboa continuava a ter espaço para uma prova desta natureza.
A marca de Luís Caramelo
Luís Caramelo e o CMS recolocaram o Rali das Camélias e os ralis na Serra de Sintra e Mafra. A sua morte, em 2024, retirou à prova um dos seus rostos mais persistentes, mas não interrompeu o caminho que ele ajudou a abrir.
Essa continuidade é visível no presente. Em 2026, o Rali das Camélias voltou à estrada com um percurso duplamente renovado devido à intempéries, passando pelos concelhos de Sintra, Mafra e Torres Vedras, numa edição apresentada como um sinal de consolidação da prova no panorama nacional.
O Rali das Camélias não é apenas uma prova automobilística; é um pedaço vivo da história do desporto motorizado em Portugal e um símbolo da identidade da região de Sintra. Manter esta prova ativa, especialmente após a partida do seu grande impulsionador, é um ato de preservação cultural e de visão estratégica por parte do Clube de Motorismo de Setúbal, que tão bem tem sabido honrar o legado da prova.
Ao manter o Rali das Camélias, o CMS não está apenas a organizar uma corrida; está a honrar a memória de Luís Caramelo e a garantir que Sintra, Mafra e Torres Vedras continuam a ser o palco privilegiado de uma das mais belas tradições do rali nacional. É a prova de que, mesmo quando os motores se calam, a paixão e o compromisso com a história devem continuar a acelerar.
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