Eleições locais na Palestina surpreendem pela fraca votação no Hamas
Os partidários Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, venceram a maioria dos lugares em aberto nas eleições municipais palestinianas, revelaram as autoridades eleitorais este domingo, numa votação que, pela primeira vez em quase duas décadas, incluiu uma cidade na Faixa de Gaza governada pelo grupo rival Hamas. Os analistas mostraram-se surpreendido com a fraca votação conseguida pelo grupo, que assim recebe uma mensagem que deixa em aberto a possibilidade da existência de uma clivagem entre o Hamas e a população que diz defender.
A votação de sábado foi a em Gaza desde 2006 – quando ganhou de forma clara as eleições e teve início um período de confronto com a Autoridade Palestiniana liderada por Assas – e as primeiras eleições palestinianas desde o início da guerra em Gaza, há mais de dois anos.
A Autoridade Palestiniana, sediada na Cisjordânia e liderada por Abbas, afirmou que a inclusão da cidade de Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, que sofreu menos danos que outras áreas do território costeiro durante a guerra, teve como objetivo mostrar que Gaza é parte inseparável de um futuro Estado palestiniano.
As eleições, que registaram baixa participação eleitoral, ocorreram “num momento extremamente delicado, no meio de desafios complexos e circunstâncias excecionais”, afirmou o primeiro-ministro palestiniano, Mohammad Mustafa, ao anunciar os resultados no domingo. Mas representaram “um primeiro passo importante num processo nacional mais amplo destinado a fortalecer a vida democrática e, em última instância, alcançar a unidade da pátria”, afirmou.
O Hamas, que expulsou a Autoridade Palestina de Gaza em 2007, não indicou formalmente candidatos em Gaza e boicotou a eleição na Cisjordânia, onde a vitória do Fatah, o ‘velho’ partido de Yasser Arafat, que serviu sempre de base à Autoridade Palestiniana, era esperada.
No entanto, relatam as agências internacionais, alguns candidatos que faziam parte de uma das listas de Deir al-Balah eram vistos como alinhados do Hamas, tornando a votação um potencial indicador de apoio ao grupo islâmico radical.
Os resultados preliminares mostraram que a lista, conhecida como Deir al-Balah, conquistou apenas duas das 15 cadeiras disputadas em Gaza. A lista Nahdat Deir al-Balah, apoiada pela Fatah, há muito liderada por Abbas, e pela Autoridade Palestiniana, garantiu seis lugares. Os lugares restantes foram conquistados por dois outros grupos de Gaza, Futuro de Deir al-Balah e Paz e Construção, uma espécie de independentes. Os partidários de Abbas ganharam de forma clara as eleições na Cisjordânia, concorrendo sem oposição em muitas circunscrições.
O porta-voz do Fatah, Abdul Fattah Dawla, observou que a participação foi semelhante à das últimas eleições municipais na Cisjordânia, em 2022, elogiando os eleitores por participarem apesar da violência contínua por parte de Israel. “Ao eleger figuras ligadas à Fatah, os eleitores parecem estar à procura de apoio internacional para a governanção municipal e uma mudança política gradual que pode estender-se além do nível local”, disse a analista política palestina Reham Ouda, citado pela agência Reuters.
Em Gaza, a participação eleitoral atingiu apenas 23%, enquanto na Cisjordânia foi de 56%, de acordo com o presidente da Comissão Eleitoral Central, Rami al-Hamdallah – que disse que algumas urnas e equipamentos de votação não chegaram ao enclave devido a restrições de segurança israelitas.
O porta-voz do Hamas em Gaza, Hazem Qassem, minimizou a importância dos resultados eleitorais, afirmando que não terão impacto em questões nacionais mais amplas.
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