O que ficou aceso quando tudo se apagou
No dia 28 de abril de 2025, às 11h33, Portugal ficou às escuras. Sem aviso, sem preparação e sem alternativa. Durante cerca de doze horas, até quase à meia-noite, a Península Ibérica viveu o maior apagão da sua história, deixando cerca de 60 milhões de pessoas subitamente privadas de eletricidade, comunicações e, inevitavelmente, da sua forma habitual de pagar.
Nas mercearias, nas farmácias e nos postos de abastecimento, as filas formaram-se depressa. E foi aí que a realidade se impôs: os terminais de pagamento estavam mudos, os multibancos sem corrente ou comunicações e as aplicações móveis inacessíveis. Os meios a que todos estávamos habituados tinham, de repente, deixado de existir.
Quem dispunha de dinheiro físico conseguiu assegurar os pagamentos essenciais. Quem não o tinha, viu-se sem alternativa.
É precisamente isto que a Denária tem defendido ao longo dos anos. O numerário é um instrumento do presente. É resiliência, é autonomia e, no fundo, é a única forma de pagamento que não depende de rede, de bateria ou de eletricidade para funcionar. O apagão de abril de 2025 foi, neste sentido, um momento de clareza. Pagar com cartão ou por outras formas de pagamento digital estiveram entre as principais dificuldades deste dia. A solução foi pagar com dinheiro.
O próprio Banco de Portugal tirou conclusões nessa ótica. O apagão revelou que o numerário é “indispensável” e que é “um recurso estratégico” em contextos de dificuldade operacional nos pagamentos eletrónicos, funcionando como “rede de segurança, assegurando que a economia prossegue mesmo quando a tecnologia falha”. Nos dias seguintes ao incidente, o número de operações e o valor levantado nos caixas automáticos cresceram de forma expressiva, sinal de que muitos portugueses optaram por reforçar as suas reservas após terem sentido, concretamente, a utilidade do dinheiro físico numa situação de crise.
Um ano depois, seria fácil olhar para este episódio como um susto que passou, mas a lição mais importante não está na duração do incidente: está na vulnerabilidade que ficou exposta. A Denária reconhece as vantagens da digitalização dos pagamentos, mas defende que o progresso não deve significar a eliminação do numerário e que a conveniência do dia a dia não pode justificar que, em momentos de contingência, as pessoas possam ficar sem opções. E também o Banco de Portugal aconselhou os cidadãos a terem algum dinheiro físico disponível em casa, para casos de emergência como ciberataques, apagões, ou desastres naturais.
O numerário desempenha um papel insubstituível, conforme experienciámos. Há um ano, Portugal ficou às escuras durante cerca de doze horas. Quando tudo se apagou, o numerário continuou aceso.
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