“Promotores não conseguem construir aos preços que as famílias conseguem pagar”, alerta CEO da APPII
Os promotores imobiliários querem construir casas para a classe média portuguesa, mas precisam de incentivos que lhes permitam não perderem dinheiro no final dos projetos. O alerta é dado pelo CEO da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), que deixa um apelo ao Governo para que crie condições para dar resposta a um segmento de mercado, onde existe procura.
“Têm que nos deixar construir casas para quem precisa. Os promotores não conseguem construir aos preços que as famílias conseguem pagar”, alerta Manuel Maria Gonçalves, em declarações ao JE, à margem do Salão Imobiliário de Lisboa (SIL), que terminou no último sábado, 25 de abril.
O CEO salienta que as famílias de classe média nacional têm 200, 300 mil euros para comprar uma casa, mas não conseguem porque por um somatório de custos por parte dos promotores, que invabiliza a construção para este segmento.
“O custo do terreno, os custos da construção, a tributação, a burocracia com 500 euros por metro quadrado por cada ano de atraso. A consequência disto é ser impossível construir para vender a 300 mil euros”, afirma, realçando que os promotores querem entrar no segmento da classe média e estão a ser prejudicados por não o conseguir fazer.
Apesar do setor da promoção imobiliária representar 15% do Produto Interno Bruto (PIB), o CEO recorda que Portugal tem um défice de 300 mil casas, acumulando só os últimos dez anos provocado por um grande problema de viabilidade económica a nível nacional, mas acredita que o Governo está a percorrer um caminho para incentivar a oferta.
“Entendemos que as medidas adotadas pelo Governo podem contribuir para uma estabilização progressiva do mercado, sobretudo se tiverem continuidade e previsibilidade. É muito importante e tem mesmo de se fazer este caminho porque nós precisamos de ferramentas. Não podemos construir para perder dinheiro”, sublinha.
Como tal, assume que com as condições certas, é possível criar um ciclo mais equilibrado, mas tudo isso exige tempo, consistência e execução. “O ano de 2026 será determinante para perceber se conseguimos consolidar essa trajetória ou se continuamos a adiar as soluções estruturais de que o país precisa.
Share this content:

Publicar comentário