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Vaidotas Žala: “nunca tinha feito um rali de asfalto, gostava do fazer um dia”

Vaidotas Žala: “nunca tinha feito um rali de asfalto, gostava do fazer um dia”

Vencedor do Dakar 2026 nos camiões como piloto tendo ao lado o navegador português Paulo Fiúza, Vaidotas Žala passou por Portugal para uma participação especial no Rali das Camélias e falou sobre essa experiência, a adaptação ao asfalto e o futuro no todo-o-terreno.
Numa conversa marcada pela frontalidade, o piloto lituano admitiu as dificuldades de mudar de superfície, reconheceu os desafios financeiros de competir ao mais alto nível e deixou uma ideia clara: continuar no Dakar só faz sentido com ambição de lutar pelos primeiros lugares.
Uma das coisas que leva de Portugal, para além do Sol que não se cansou de elogiar, foram os troços de asfalto, pelo que se o virmos trazer o seu Skoda para o ano neste Rali das Camélias, não se admirem, pois adorou os troços…
Ainda por cima, cheios de gente.
AutoSport: Antes de mais, parabéns pela vitória no Dakar com o Paulo Fiúza. Bem-vindo a Portugal. Estás a gostar desta experiência? É um trabalho diferente. Preferimos ver-te no Škoda ou no camião Iveco, mas é o que é…
Vaidotas Žala: Está a ser uma experiência muito interessante, porque nunca tinha feito um rali de asfalto na vida. É a minha primeira vez, por isso faria sentido fazê-lo com o carro zero do que com um Rally2, porque, em competição, a pressão seria muito maior. As especiais são extraordinárias e a aderência torna tudo muito particular.
É preciso atacar, mas também perceber o contexto. Estou muito satisfeito pelo facto do Paulo me ter convidado.
É também a primeira vez que ele faz comigo um rali tirando notas de base e é a minha estreia com o carro zero, por isso há aqui muitas primeiras vezes em Portugal. Além disso, é impressionante ver quanta gente conhece e valoriza o que o Paulo alcançou no Dakar. Para nós, foi histórico, porque foi a primeira vez que isso aconteceu, e ficará para sempre na história.”

AS: E em relação aos ralis, continuas a disputar o campeonato no teu país?
Vaidotas Žala: Sim, há vários anos. Mas é um campeonato disputado exclusivamente em terra. Temos apenas troços de terra, e isso faz com que eu me sinta muito confortável nessa superfície. Ao mesmo tempo, percebo que, se mudasse para o asfalto numa prova pontual, a adaptação não seria fácil, porque é um mundo completamente diferente. Temos de saber ler coisas simples, como o nível de aderência pela cor do asfalto, ou perceber o comportamento do carro nas descidas e nas subidas, a carga sobre os travões e outros detalhes.
Mesmo com o carro zero, tentamos andar depressa e em segurança, mas sente-se logo que o esforço sobre os travões é muito maior. O rali de asfalto é uma realidade muito própria, embora gostasse de o fazer um dia.”
AS: Podes vir aqui, a uma prova que não conta para qualquer campeonato, e mesmo assim vês a quantidade de público e de espectáculo. Isto é o automobilismo em Portugal. Falando do Dakar do próximo ano: voltas aos camiões?
Vaidotas Žala: Espero que sim. Ainda tenho trabalho a fazer em relação ao orçamento. Todos os anos a primeira luta é chegar à partida. Quando se consegue estar à partida, já se venceu uma parte importante da batalha; depois disso, é possível desfrutar das duas semanas no deserto. Agora a luta recomeça, porque os últimos cinco anos foram muito difíceis. Houve a COVID, guerras, nova instabilidade, o preço dos combustíveis subiu, e sobreviver como piloto não é fácil. Manter uma equipa também não é fácil. Mas o objectivo mantém-se: regressar ao Dakar e, espero, com um camião.”
AS: E daqui a alguns anos? Continua a existir vontade de regressar aos carros, à categoria T1+?
Vaidotas Žala: Não tenho a certeza. Os orçamentos dispararam nos últimos anos com a introdução dos T1+. No meu caso, dependo 100% de patrocínios, e para alguém como eu, mais 100 ou 200 mil euros representam muito dinheiro e são difíceis de reunir. Por isso, parece-me irrealista pensar num regresso aos carros no Dakar. Vejo como mais provável continuar nos camiões e depois retirar-me.”
AS: “Agora que guias um camião no Dakar, sentes que o desafio físico é muito superior ao que estavas habituado nos carros?
Vaidotas Žala: “Sim, o camião é fisicamente muito mais exigente, sem dúvida. Mas por outro lado gosto do potencial de velocidade e de resultados. Penso que é isso que motiva tanto a mim como ao Paulo: terminar no top 3 e, se possível, lutar novamente pela vitória. Caso contrário, o Dakar é demasiado duro e exigente para ser apenas um projeto pessoal. Se o fizer uma ou duas vezes, tudo bem. Mas, para continuar, tem de haver um objetivo claro. No nosso caso, esse objetivo é desportivo.”
FOTOS Facebook Vaidotas Žala – Nørdis Team
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