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Apagão. Galp preparada para “defender” os seus interesses na justiça “até ao fim”

Apagão. Galp preparada para “defender” os seus interesses na justiça “até ao fim”

O impacto do apagão de 28 de abril de 2025  foi tão grande que o tema ainda faz eco na vida das empresas passado precisamente um ano.
Uma das empresas afetadas foi a maior exportadora nacional, a refinaria de Sines, que foi obrigada a cessar a sua produção perante o apagão.
Passado um ano, a Galp garante que vai “defender” na justiça os seus interesses “até ao fim” em relação aos prejuízos causados na sua refinaria pelo apagão de 28 de abril de 2025.
“Posso assegurar que, tal como outros operadores, vamos defender os interesses da Galp até ao fim”, garantiu o co-presidente-executivo João Diogo Marques da Silva em conversa com o JE na segunda-feira.
“É um dossier que está a ser trabalhado pelas nossas equipas jurídicas”, afirmou, apontando que a Galp foi afetada na operação da sua refinaria em Sines. “A grande dimensão de impacto de um apagão é na refinaria e no período em que ela esteve desligada e em fase de religação”.
O apagão teve um impacto negativo superior a mil milhões de euros na economia nacional, o equivalente a um dia de paragem do PIB, segundo contas do economista Óscar Afonso da FEUP.
Questionado sobre o processo que a Repsol instaurou em Espanha, o gestor explicou que “há um processo muito semelhante que se alarga a todo o setor”.
O JE sabe que o processo ainda não deu entrada na justiça e que está a ser alvo de discussões interna. Não foi possível apurar se o processo será instaurado nos dois países ou somente num, nem quem serão os alvos do processo, nem quais os valores em causa.
O gestor destacou que este é um “tema sensível” que decorre no “âmbito jurídico”, não dando mais detalhes. “Não comentamos processos judiciais em curso”.
Recentemente, foi noticiado em Espanha que a Repsol vai exigir 125 milhões de euros por danos causados nas suas cinco refinarias espanholas pelo apagão de 28 de abril. A companhia vai exigir o valor a várias companhias elétricas responsáveis pela distribuição de eletricidade, como a Iberdrola, Endesa ou Naturgy, nas diferentes regiões onde as refinarias estão instaladas.
Já a Moeve também vai pedir 50 milhões de euros na justiça espanhola pelos prejuízos causados nas refinarias em Huelva e Cádiz.
A Galp anunciou os seus resultados trimestrais na segunda-feira, tendo gerado lucros de mais de 270 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, mais 41% face a período homólogo, com a subida a ser alcançada à boleia do aumento de produção de petróleo e gás no Brasil, com o novo navio-plataforma na área de Bacalhau a contribuir decisivamente para esta subida.
A companhia destacou o “período de alta volatilidade” vivido no primeiro trimestre com “disrupção no abastecimento” e “desequilíbrio do mercado” devido à guerra de EUA/Israel contra o Irão a que se seguiu o bloqueio do estreito de Ormuz por Teerão.
A companhia também anunciou que espera fechar o acordo com os espanhóis da Moeve até meados deste ano.
A Galp e a Moeve querem fundir as suas redes de postos de combustível, mas também as suas refinarias (duas em Espanha, uma em Portugal).
Já na Namíbia, a companhia está a fechar os preparativos para a próxima “campanha de pesquisa e avaliação”, que deverá arrancar ainda este ano.

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