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Mercados mornos com investidores sem entusiasmo com proposta negocial do Irão

Mercados mornos com investidores sem entusiasmo com proposta negocial do Irão

Wall Street fechou mista nesta segunda-feira, dando início a uma semana movimentada para os investidores, marcada pela reunião da Federal Reserve, pelos resultados de grandes empresas de tecnologia e por dados macroeconómicos importantes.
Os investidores parecem preferir aguardar pelas decisões de política monetária dos bancos centrais, com a Fed a pronunciar-se na quarta-feira, em busca de perspetivas de impacto da guerra na economia e inflação, que interferem no rumo das taxas de juro.
Segundo a Ebury, a Fed deverá manter as taxas inalteradas, apesar dos riscos da guerra no Irão. “A inflação nos EUA registou um aumento acentuado em março, mas a inflação subjacente mantém-se controlada por enquanto”, defende a fintech global especializada em pagamentos internacionais, câmbio de divisas (FX) e gestão de risco cambial para empresas.
“Não serão divulgadas projeções económicas ou relativas às taxas este mês”, explicam os analistas que defendem que Powell deverá adotar um tom moderadamente ‘hawkish’ devido aos receios em relação à inflação.
“O futuro presidente Warsh acena com a possibilidade de abandonar a política de ‘forward guidance’”, refere a Ebury que antecipa que a Fed mantenha as taxas inalteradas, antes de iniciar os cortes em setembro.
Também esta semana haverá a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de empresas como a Amazon, Alphabet, Meta, Apple e Microsoft. Os investidores vão ter oportunidade de avaliar em que medida estas empresas estão a começar a “ganhar” com os grandes investimentos em inteligência artificial.
Esta segunda-feira nem as bolsas da Europa nem a de Nova Iorque tiveram muito gás para subir. Na Europa só as bolsas da Europa do sul fecharam no verde. Atenas, Milão, Madrid e Lisboa fecharam em alta.
O principal índice da bolsa de Lisboa, o PSI, encerrou a sessão desta segunda-feira a valorizar 0,59% para os 9,177.550 pontos, à boleia dos ganhos da Teixeira Duarte e da EDP Renováveis. Entre as 16 cotadas, oito fecharam no verde, sete em queda e o BCP manteve-se inalterado nos 0%.
Londres recuou 0,56% para os 10.321 pontos; o CAC de Paris perdeu 0,19% para 8.141,9 pontos e o alemã DAX caiu 0,19% para 24.083,5 pontos. O holandês tombou 1,15%.
Em Wall Street o S&P 500 fechou a sessão a avançar 0,12% para 7.173,91 pontos, ainda assim atingindo um novo máximo histórico nos 7.178,74 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite acelerou 0,20% para 24.887,10 pontos, também a tocar num valor recorde nos 24.899,37 pontos. Mas o industrial Dow Jones – que tem ficado para trás na recuperação das ações norte-americanas – encerrou a negociação com perdas de 0,13% para 49.167,79 pontos.
A marcar a sessão desta segunda-feira esteve a notícia que o Irão enviou uma proposta negocial aos EUA para pôr um fim ao conflito no Médio Oriente, que inclui a possibilidade de reabertura do estreito de Ormuz. A Administração de Donald Trump já reuniu para discutir o plano. Mas a Casa Branca afirma que não negociará com o Irão através da imprensa e reforça as suas exigências nucleares. A porta-voz da Casa Branca reafirmou que o Presidente não vai ceder em relação às suas “linhas vermelhas” – incluindo o travão às pretensões iranianas de enriquecer urânio.
A eventual aproximação entre os EUA e Irão não foi suficiente para animar os mercados. Os preços do petróleo avançaram mais de 2% esta segunda-feira, com o Brent – de referência para a Europa – a ultrapassar os 108 dólares por barril, numa altura em que o estreito de Ormuz continua duplamente bloqueado e os investidores não veem o fluxo normal a ser retomado no curto prazo.
Esta segunda-feira foi também o dia em que uma delegação iraniana deslocou-se à Rússia para se reunir com o Presidente Putin e discutir o conflito em curso no Médio Oriente. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, foi citado pelos meios de comunicação estatais russos dizendo que as conversações demonstram a “relação estratégica” entre os dois países, enquanto o seu homólogo russo classificou as discussões como “úteis”.
Já o presidente da Rússia disse que “da nossa parte, faremos tudo o que atenda aos seus interesses, aos interesses de todos os povos da região, para que a paz seja alcançada o mais rápido possível”.
Os preços do petróleo sobem devido às tensões geopolíticas e às restrições na oferta global, explica Antonio Di Giacomo, Analista Senior de Mercado da XS.com, que explicou que “o WTI atingiu o nível dos 97,65 dólares por barril, enquanto o Brent atingiu os 102,60 dólares,
reflectindo uma reacção imediata às tensões no Médio Oriente. Atualmente, os preços mantêm-se elevados, com o Brent a rondar os 102,25 dólares e o WTI próximo dos 96,75 dólares”.
“Um dos principais catalisadores deste movimento foi o impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão, o que reduziu as expectativas de uma resolução rápida do conflito. Esta falta de progresso diplomático gerou incerteza nos mercados, aumentando o prémio de risco geopolítico sobre os preços do crude”.
A subida do preço do petróleo tem também implicações macroeconómicas significativas. O aumento sustentado dos preços da energia tende a reacender as pressões inflacionistas globais, complicando as perspectivas para os bancos centrais.

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