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F1: Espera-se o regresso às qualificações a fundo em Miami

F1: Espera-se o regresso às qualificações a fundo em Miami

Miami deverá ser uma das jornadas mais interessantes desta primeira metade da temporada 2026. Com cinco semanas de pausa, as equipas tiveram tempo para trabalhar a fundo nos carros, implementando novas soluções. Também os regulamentos foram ajustados e, graças a isso, poderemos ter o regresso das qualificações “à antiga”, ou seja… a fundo.
A época 2026 trouxe um regulamento técnico completamente novo, assente numa divisão igualitária entre potência vinda da combustão e da bateria. Na prática, porém, os mecanismos de recuperação de energia, o super clipping e as secções de lift-and-coast retiraram, nas palavras do próprio Max Verstappen, o “divertimento” à condução. Essa falta de divertimento era sentida pelos fãs que não gostaram do que viram.
Face às queixas generalizadas de pilotos e equipas, somadas a preocupações de segurança, a FIA convocou uma reunião com a direção da Fórmula 1, os chefes de equipa e os fabricantes de motores para discutir ajustes ao regulamento. O encontro resultou em três alterações concretas: a carga máxima permitida em qualificação foi reduzida de 8MJ para 7MJ; a potência de pico do super clip foi aumentada para 350 kW; e o boost máximo em corrida ficou limitado a +150 kW.
Que efeitos práticos trarão estas mudanças? Iremos descobrir já no próximo fim de semana, mas, no que diz respeito à qualificação, o diretor técnico de desempenho da McLaren, Mark Temple, citado pelo PlanetF1, antecipou um cenário bem mais positivo:
“Há algumas mudanças nos regulamentos do ‘super clip’ e na quantidade total de energia que se pode acumular numa volta na qualificação. O maior impacto é do ponto de vista da pilotagem. A ideia é eliminar algumas destas coisas que os pilotos não gostam de fazer na qualificação [lift and coast].
“Há duas partes nisto. Uma delas é aquilo a que chamamos ‘lift-and-coast’, que já não deve ser utilizado na qualificação. Nesta técnica, o piloto tirava o pé do acelerador, deixava o carro rolar até à zona de travagem e só depois acionava os travões. Temos agora uma situação mais eficiente, controlada pela unidade motriz. Assim, o piloto pode manter o acelerador a fundo e a unidade motriz recupera a energia. O Straight Mode [modo reta] permanece ativo, fazendo com que o carro abrande menos.
“Além disso, o piloto tem a sensação mais natural de ir diretamente do acelerador a fundo para os travões, sem esta fase intermédia. Mais ainda, o tempo total e a duração de qualquer superclip ou fase de desaceleração são significativamente reduzidos. Portanto, quando isso acontece, é bastante curto.
“Na verdade, está muito mais próximo de alguns exemplos que vimos em anos anteriores, como a gestão dos pneus ou o baixo consumo de combustível. Isto fará com que a qualificação pareça muito mais natural para os pilotos.
“Existem também algumas outras regras mais, digamos, complexas, relacionadas com a distribuição de energia e com algumas das nuances de como a energia é controlada, que simplificam certos aspetos para o piloto.”
Espera-se assim que as qualificações voltem a ser a fundo, sem necessidade excessiva de gestão. As voltas em si poderão ser mais lentas, mas a sensação de abrandamento deverá ser menor. Se isso for de facto conseguido, é uma melhoria importante.
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