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Inovação na reciclagem de baterias dispara 42% ao ano com pressão sobre matérias-primas

Inovação na reciclagem de baterias dispara 42% ao ano com pressão sobre matérias-primas

A inovação na reciclagem e reutilização de baterias está a registar um crescimento exponencial, impulsionada pela crescente pressão sobre o acesso a matérias-primas críticas e a necessidade de segurança energética. Um novo estudo, divulgado pela Organização Europeia de Patentes (OEP) e pela Agência Internacional de Energia (AIE), revela que as famílias internacionais de patentes (IPFs) relacionadas com a circularidade das baterias aumentaram a uma taxa média anual de 42% entre 2017 e 2023.
Este crescimento anual contrasta significativamente com o aumento de 16% no fabrico de baterias e de apenas 2% no conjunto dos setores tecnológicos durante o mesmo período. Os dados sublinham a urgência e a importância estratégica da circularidade das baterias no cenário económico e ambiental global.
António Campinos, presidente da OEP, enfatiza que “a inovação nas tecnologias de circularidade das baterias é essencial para assegurar recursos, reforçar a competitividade e reduzir o impacto ambiental. À medida que este setor ganha importância, as regiões que combinam ecossistemas industriais sólidos, política pública favorável e acesso a matéria-prima reciclada estarão melhor posicionadas para liderar a economia circular”.
“A Europa reúne muitos destes elementos, com um ecossistema de inovação diversificado e iniciativas políticas que proporcionam uma base sólida para o desenvolvimento de cadeias de valor circulares das baterias”, acrescenta.
Fatih Birol, diretor executivo da AIE, complementa esta visão, afirmando que “na era da eletricidade, as baterias tornaram-se um pilar da segurança energética e da competitividade industrial, mas o seu pleno valor só será concretizado se os países desenvolverem sistemas circulares robustos em torno delas”.
“A aceleração da inovação na reciclagem e reutilização pode aliviar a pressão sobre as cadeias de abastecimento de minerais críticos, reduzir impactos ambientais e criar novas oportunidades económicas. A Europa tem pontos fortes importantes sobre os quais pode construir, e este relatório evidencia como a inovação direcionada e o apoio político podem posicioná-la na vanguarda de uma economia sustentável das baterias”, refere Birol-
Com mais de um em cada quatro automóveis vendidos globalmente em 2025 a ser um veículo elétrico, a dependência de baterias de iões de lítio e outras tecnologias de acumulação de energia moderna é inegável. No entanto, projeta-se que cerca de 1,2 milhões de baterias de veículos elétricos atinjam o fim de vida em 2030, um número que pode ascender a 14 milhões em 2040. As atuais cadeias de abastecimento de minerais e componentes para baterias apresentam uma elevada concentração, o que acentua a vulnerabilidade e a necessidade de soluções circulares.
As tecnologias de circularidade, que incluem a reciclagem, a reutilização em veículos e o reaproveitamento para novas aplicações, surgem como a resposta a estes desafios. O relatório OEP-AIE, que se baseia em bases de dados de patentes da OEP e na análise especializada da AIE, identifica os principais países, requerentes de patentes e categorias tecnológicas que impulsionam esta inovação.
O armazenamento de energia, incluindo as baterias, representa atualmente cerca de 40% de todas as patentes relacionadas com energia, com um crescimento contínuo. Contudo, a inovação na circularidade das baterias supera este ritmo, impulsionada pela rápida adoção de veículos elétricos e pela legislação na Europa e na China que responsabiliza as empresas pelas baterias em fim de vida.
Empresas asiáticas lideram inovação, representando 63% das famílias internacionais de patentes (IPFs) em 2023
A Ásia lidera a inovação nesta área, sendo responsável por 63% das famílias internacionais de patentes (IPFs) em 2023. Historicamente dominada por empresas japonesas e coreanas como Toyota, LG e Sumitomo até 2019, o setor viu a ascensão da chinesa Brunp, que contribuiu para um aumento da quota da China de 5% em 2013 para 29% em 2023, refletindo uma estratégia de internacionalização.
Na Europa, empresas e institutos de investigação detêm cerca de 20% das IPFs, com um foco particular na recolha e transformação de baterias usadas em matérias-primas para novas baterias. Este enfoque reflete o papel da Europa como utilizador, mais do que produtor, de baterias. Apesar de um crescimento mais lento em comparação com a Ásia, a inovação europeia está em expansão e, com o apoio político adequado da UE, poderá solidificar um ecossistema robusto na circularidade das baterias.
O relatório é complementado por uma atualização da plataforma inteligente dedicada a energia limpa da OEP, que agora inclui uma secção sobre a circularidade das baterias.
A ferramenta Deep Tech Finder da OEP também foi atualizada, apresentando perfis de quase 60 startups e universidades europeias que procuraram proteção de patentes nestas áreas desde 2006.
A versão beta do Data Desk do Observatório da OEP demonstra como os dados de patentes podem ser convertidos em informações acionáveis, através de uma cartografia detalhada das tecnologias de armazenamento de energia para uma análise aprofundada do setor.
 

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