A carregar agora

BCE: Lagarde admite que subida de juros esteve em cima da mesa na reunião de abril

BCE: Lagarde admite que subida de juros esteve em cima da mesa na reunião de abril

O Banco Central Europeu (BCE) reconhece as dificuldades criadas pela guerra no Médio Oriente, sobretudo na vertente energética, mas manter-se-á vigilante nas próximas seis semanas, ou seja, até à próxima reunião de política monetária. Christine Lagarde admitiu que o Comité de Governadores discutiu a possibilidade de subir já juros, mas optou, em unanimidade, por aguardar em abril.
Após a reunião desta quinta-feira, que terminou com nova decisão de não mexer nas taxas de referência, a presidente do BCE aproveitou a conferência de imprensa para reforçar a ideia de que o banco central agirá com precaução nesta altura de incerteza reforçada. Ainda assim, o grande destaque vai para a admissão que uma subida de juros esteve em cima da mesa e foi debatida, mas a opção acabou por cair, por unanimidade, na manutenção do atual nível.
“Enquanto os dados brutos estão em linha com a nossa projeção, […] há tanta incerteza que teremos de revisitar tudo isto na nossa próxima reunião”, afirmou a presidente do banco central, projetando que as seis semanas até ao próximo encontro de política monetária sejam “o tempo certo para avaliar o desenvolvimento” geopolítico.
Isto sugere que uma subida em junho está agora mais próxima, o que ficaria alinhado com as perspetivas dominantes no mercado atualmente.
Lagarde falou também numa “decisão informada com base em informação incompleta” para caracterizar o cenário imprevisível na moeda única, mas afasta a ideia de estagflação.
“Não aplicamos o termo ‘estagflação’ às circunstâncias atuais porque é muito associado com a situação dos anos 70”, explicou, lembrando o ritmo consideravelmente mais acelerado da inflação na altura combinado com um desemprego elevado. Segundo a presidente do BCE, o uso do termo resulta mais de algum sensacionalismo da imprensa do que propriamente de paralelos reais entre o cenário atual e os anos 70, quando as dificuldades económicas eram consideravelmente maiores.
Recorde-se que os juros de referência para a moeda única permaneceram entre 2% e 2,4%, o intervalo que se tem verificado desde junho do ano passado, quando o BCE arrancou com o atual ciclo de pausas. O mercado antecipava largamente esta decisão, mas numa postura cautelosa de ‘aguardar para ver’, isto numa altura em que a guerra no Médio Oriente atirou novamente a economia mundial – e, por conseguinte, a europeia – para uma forte incerteza.

Share this content:

Publicar comentário