BCE volta a deixar juros inalterados apesar de nova subida da inflação
O Banco Central Europeu (BCE) voltou a deixar os juros inalterados na reunião desta quinta-feira, em linha com o esperado e tal como havia sucedido nos encontros anteriores este ano, isto apesar do disparo da inflação nos últimos dois meses. O indicador de preços chegou a 3% em abril e, depois da presidente do BCE e outros membros do Comité de Governadores terem sinalizado maior agressividade, o mercado estará atento a possíveis sinais de subidas na conferência de imprensa.
Os juros de referência para a moeda única mantêm-se assim entre 2% e 2,4%, o intervalo que se tem verificado desde junho do ano passado, quando o BCE arrancou com o atual ciclo de pausas. O mercado antecipava largamente esta decisão, mas numa postura cautelosa de ‘aguardar para ver’, isto numa altura em que a guerra no Médio Oriente atirou novamente a economia mundial – e, por conseguinte, a europeia – para uma forte incerteza.
Esta incerteza já se materializa no Velho Continente, com a inflação a disparar nos últimos dois meses até 3% na leitura de abril, divulgada apenas horas antes do anúncio do banco central. Em fevereiro, o indicador de preços estava em 1,9% em termos homólogos e, depois de um ano em torno do objetivo de médio prazo da autoridade monetária, ou seja, 2%, subiu de forma significativa com o choque energético global.
Isso mesmo reconhece o comunicado do BCE, que menciona que “os riscos ascendentes para a inflação e os descendentes para o crescimento intensificaram-se”, identificando precisamente a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão como o principal motivo desta evolução.
Perante este cenário, as probabilidades de nova subida de juros crescem, com o BCE focado em conter novo episódio inflacionista, sobretudo num ambiente económico consideravelmente menos favorável do que em 2022, quando o disparo de preços pós-Covid se começou a fazer sentir. No entanto, em sentido inverso, a economia continua a dar sinais de fraqueza, com os índices de gestores de compras (PMI) a voltarem a terreno de contração e a procura por crédito a abrandar.
Assim, a conferência de imprensa de Christine Lagarde deverá ser o foco dos investidores e analistas, que buscam sinais de uma possível subida nos juros já na próxima reunião, em junho. O mercado estima atualmente mais três aumentos de taxas de 25 pontos base (pb) até final do ano, pelo que as palavras da presidente do banco serão escrutinadas atentamente.
Desde a última reunião, em março, Lagarde avisou que os riscos da inflação na zona euro estavam agora mais inclinados para uma subida, sinalizando a preocupação que o banco tem tido com a estabilidade de preços numa altura em que o choque energético causado pela guerra no Médio Oriente está a afetar consideravelmente a economia europeia. Na mesma linha, Isabel Schnabel, vice-presidente do organismo e uma das vozes mais hawkish com direitos de voto nas decisões de política monetária, reconheceu igual risco, mas defendeu uma postura mais precavida e expectante.
[notícia atualizada às 13h18]
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