A carregar agora

BPCE paga mais 300 milhões pelo Novobanco conclui compra por 6,7 mil milhões

BPCE paga mais 300 milhões pelo Novobanco conclui compra por 6,7 mil milhões

O banco francês torna-se o único acionista do quarto maior banco português. Portugal passa a ser o segundo mercado doméstico do grupo para a banca de retalho, numa das maiores aquisições bancárias transfronteiriças da zona euro em mais de uma década.
A venda do Novobanco ao BPCE — Banque Populaire et Caisse d’Epargne, o segundo maior grupo bancário em França e quarto maior na zona euro — foi concluída esta quinta-feira, com a transferência das ações e o respetivo pagamento. A operação, considerada a maior aquisição bancária transfronteiriça na área do euro em mais de dez anos, foi acordada em junho de 2025 e concretizada dentro do prazo previsto.
O preço de aquisição, fixado inicialmente em 6,4 mil milhões de euros subiu para 6,7 mil milhões de euros após o aumento do capital próprio do Novobanco durante os primeiros quatro meses de 2026. Isto é, o banco francês pagou mais 300 milhões do que o inicialmente previsto. Uma informação que já tinha sido avançada em primeira-mão pelo Jornal Económico. O rácio price-to-earnings situou-se em 7,85x, calculado sobre o resultado líquido de 828 milhões de euros registado em 2025.
O Estado Português e o Fundo de Resolução, que detinham 25% do capital do Novobanco, receberam um total de 1.673 milhões de euros com a venda — 906 milhões para o Fundo de Resolução e 766 milhões para a Estabilização Financeira. Somando os dividendos já pagos pela instituição, o Estado e o Fundo de Resolução conseguem recuperar cerca de 2 mil milhões de euros dos fundos que injetaram no banco.
O preço de aquisição, fixado inicialmente em 6,5 mil milhões de euros com referência a 31 de dezembro de 2025, subiu para 6,7 mil milhões de euros após o aumento do capital próprio do novobanco durante os primeiros quatro meses de 2026.
O Novobanco, em comunicado, diz que “de acordo com o definido no Memorando de Entendimento de junho de 2025 e nos subsequentes acordos de aquisição assinados em agosto e outubro de 2025, o preço final de aquisição a 31 de dezembro de 2025 foi fixado em 6,5 mil milhões (acima dos 6,4 mil milhões anunciados no acordo de compra em junho) e justifica esse acréscimo de 100 milhões com base no resultado líquido de 2025 de 828 milhões.
Isto, é com o aumento dos capitais próprios do Novobanco durante os primeiros quatro meses de 2026, o preço total de aquisição por 100% do capital social do novobanco situa-se em 6,7 mil milhões de euros à data de 30 de abril de 2026.
O rácio price-to-earnings situou-se em 7,85x, calculado sobre o resultado líquido de 828 milhões de euros registado em 2025.
“A venda do Novobanco permite-nos encerrar um capítulo conturbado da nossa história, demonstrando credibilidade e capacidade de recuperação”, diz Joaquim Miranda Sarmento, Ministro das Finanças. Para o Ministro a conclusão da operação representa um sinal de confiança dos investidores internacionais na economia portuguesa. O governante salientou que a estabilidade do sistema financeiro nacional foi salvaguardada ao longo de todo o processo.
O BPCE, que já estava presente em Portugal através de um centro de competências no Porto do Natixis, do Banco Primus e da Oney, passa agora a ter cerca de 8.000 colaboradores no país, afirmando-se como um dos principais empregadores nacionais.
O Novobanco, quarto maior banco a operar em Portugal, conta com uma rede de aproximadamente 300 balcões e emprega cerca de 4.100 profissionais. A sua carteira inclui 18,2 mil milhões de euros em crédito a empresas, 11,1 mil milhões em crédito habitação e 2,7 mil milhões em crédito pessoal. Após uma transformação plurianual, o banco figura hoje entre os de melhor desempenho na Europa, com um produto bancário líquido de cerca de 1,6 mil milhões de euros.
“Fazer parte do BPCE é o início de um novo capítulo importante para o Novobanco, permitindo-nos consolidar a nossa estratégia e reforçar ainda mais o nosso papel no financiamento da economia portuguesa”, salienta Mark Bourke, CEO do Novobanco.
Mudanças na governação
Na sequência da mudança de acionista, o Novobanco procedeu a alterações nos seus órgãos de governo. Quatro membros do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) — Kambiz Nourbakhsh, Mark Andrew Coker, Evgeniy Kazarez e Susana Smith — apresentaram a sua demissão, assim como Benjamin Dickgiesser, até agora CFO. Em substituição, foram aprovados três novos membros do CGS ligados ao BPCE: Jacques Beyssade (vice-presidente), Sylvain Petit e Franck Leroy.
Para o cargo de CFO foi aprovada, sujeita a autorização regulatória, Teresa Mora-Grenier, com larga experiência em grupos financeiros franceses como a Natixis e a Crédit Agricole.
Mark Bourke mantém-se como CEO e passará a reportar a Jacques Beyssade, Secretário-Geral do BPCE. A PricewaterhouseCoopers foi reconfirmada como auditora estatutária para o período 2026–2028.
O Novobanco nasceu em 2014 da resolução do Banco Espírito Santo. Desde então, o Estado português e o Fundo de Resolução injetaram dinheiro na instituição para garantir a sua estabilidade. A venda ao BPCE marca o encerramento desse processo, com Portugal a recuperar parte significativa dos fundos públicos envolvidos.

Share this content:

Publicar comentário