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CTT: Entrar nos correios e sair de uma empresa de logística

CTT: Entrar nos correios e sair de uma empresa de logística

Quando Teresa Soares encerrar os trabalhos da assembleia geral desta quinta-feira, 30 de abril dos CTT e todos os participantes desligarem a sessão, a mais antiga empresa portuguesa pela continuidade da atividade terá iniciado um novo ciclo, com uma nova liderança e renovados objetivos, ambiciosos, para os próximos três anos.
João Bento deixa a presidência executiva, sete anos depois. Sucede-lhe Guy Pacheco, até agora administrador com o pelouro financeiro.
Trata-se de outra empresa, com outro negócio e outro posicionamento. Literalmente.
Quando João Bento foi eleito CEO, em maio de 2019, depois de dois anos passados como administrador não executivo, os CTT – Correios de Portugal eram uma empresa que vivia do serviço postal. O correio tradicional, o correio registado e os serviços postais empresariais representavam metade da faturação. Ultrapassariam 54% se incluirmos aqui os serviços de proximidade, que agora a empresa inclui neste segmento.
“Encontrei uma empresa muito dependente do correio tradicional, a iniciar a sua diversificação, mas ainda sem um impulso capaz de transformar estruturalmente o negócio capturando o potencial de crescimento do comércio eletrónico”, diz João Bento ao Jornal Económico (JE).
Agora, o correio, mesmo com outras atividades acrescentadas, vale menos de 40% das receitas, foi ultrapassado pelo comércio eletrónico, que se tornou o principal motor do crescimento. Vale 48,6% das receitas. Em seis anos, os correios passaram de representar a quase totalidade dos resultados antes de juros e impostos (EBIT) para terem um peso residual.
“Liderar a transformação de uma empresa com este legado, procurando equilibrar uma mudança estrutural com a responsabilidade social, a cultura organizacional e a eficiência dos processos e das equipas foi o grande desafio” dos dois mandatos como CEO, diz João Bento.
Não foi só a palavra correios que caiu quando a marca foi renovada, em 2020, assinalando os cinco séculos de atividades desde que o rei D. Manuel I instituiu o cargo de Correio-Mor do Reino. A estrutura do negócio mudou.
Os CTT são uma empresa de logística de comércio eletrónico. Processa mais de 580 mil pacotes por dia na Península Ibérica, em 77 centros operacionais e uma cobertura geográfica de 100% do território.
A pegada da empresa cresceu significativamente, tornou-se ibérica. Fez o turnaround da operação de e-commerce em Espanha, com o lançamento da marca CTT Express em 2020, e a quota de mercado B2C (business to consumer) na Ibéria duplicou, entre 2021 e 2024, para 12%. Em Portugal a quota de mercado terá ficado nos 45% no final do ano passado e em Espanha passado de cerca de 5% em 2023 para cerca de 9%.
Compras para mudar
Este esforço de mudança foi feito internamente, com a adaptação da estrutura e a restruturação das operações, mas muito, também, por aquisições, ganhando mercado e conhecimento e reposicionando a empresa.
Primeiro, foi a compra da Newspring, em 2021, para reforçar a área de BPO.
Depois, um passo grande foi a aquisição da espanhola Compañia Auxiliar al Cargo Expres (Cacesa), empresa do setor aduaneiro de comércio eletrónico internacional, líder no desalfandegamento de encomendas provenientes de fora da União Europeia, especialmente da Ásia. Foi comprada por 106,8 milhões de euros, tendo o negócio sido concluído em maio de 2025, permitindo que os CTT estejam em 17 países, com alcance global.
Isso fez com que os rendimentos operacionais da área de comércio eletrónico tenham aumentado 33,7%, no ano passado, para 626,3 milhões de euros. Mesmo sem a Cacesa, o aumento foi de 13,9%, “graças ao crescimento do tráfego e da receita média por objeto”.
Também foi adquirida a Decopharma, para reforçar o negócio de logística de produtos farmacêuticos. A seguir, outro passo determinante, a joint venture ibérica com a DHL, maior operador mundial de expresso e encomendas, com o objetivo de ajudar a catapultar os CTT para a liderança ibérica no comércio eletrónico, formalizado já este ano.
“Hoje, os CTT são um grupo com atividade mais diversificada e complementar, presente em diferentes geografias, com a logística de e-commerce como motor de crescimento, um banco de retalho em consolidação, uma base financeira robusta e muito orientado para a eficiência, inovação e sustentabilidade”, diz Bento.
O mercado respondeu de forma positiva. A capitalização bolsista dos CTT triplicou, desde 2019 até agora. A empresa vale agora 895 milhões de euros.

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