CTT estabelece objetivo: liderança ibérica
A missão de Guy Pacheco como CEO vai ser cumprir a ambição de tornar os CTT líderes do mercado ibérico. A meta foi formalizada no último Capital Markets Day, em novembro do ano passado, e define o novo ciclo estratégico até 2028, assente na escala logística, na integração da cadeia de valor do comércio eletrónico e na expansão em Espanha.
A estratégia parte de uma transformação já executada. Entre 2022 e 2025, o grupo reconfigurou o portefólio, reforçou a presença em encomendas e logística e reduziu o peso relativo do correio. Em 2025, as receitas atingiram 1.288,1 milhões de euros, com as soluções de comércio eletrónico a representarem 48,6% do total, acima dos 40,1% do segmento de correio e serviços e dos 11,3% do Banco CTT.
O comércio eletrónico assume o papel de principal motor de crescimento.
O novo ciclo será liderado por Guy Pacheco, que sucede a João Bento. É jovem, completa 49 ano de idade agora, em maio. Está nos CTT – Correios de Portugal desde dezembro de 2017. Era o administrador com o pelouro financeiro e acompanhou de perto todo o processo de transformação da empresa, a fixação e cumprimento dos objetivos definidos no anterior mandato da gestão e, também, os objetivos agora assumidos.
O ciclo que agora é concluído cumpre e ultrapassa as metas definidas no Capital Markets Day de 2022. As receitas ficaram em 1.288 milhões de euros, acima da meta de 1.100 a 1.250 milhões dada como meta, enquanto o EBIT recorrente atingiu 115 milhões de euros, dentro do intervalo de 100 a 120 milhões. A rentabilidade do Banco CTT também cumpriu o guidance, com um retorno sobre o capital entre 11% e 13% e o crescimento da base de clientes, que ultrapassou os 800 mil clientes, e dos volumes de negócio.
A execução operacional acompanhou os objetivos financeiros. No comércio eletrónico, os CTT aumentaram quota em Portugal e Espanha, cresceram receitas e mantiveram margens operacionais estáveis. No correio, estabilizaram receitas através de preço e diversificação de oferta, compensando a queda estrutural do tráfego. O grupo posicionou-se como um operador logístico com presença na cadeia de valor, incluindo last mile, distribuição, desalfandegamento e fluxos internacionais.
O novo ciclo até 2028 mantém essa lógica, mas com maior exigência de escala. O foco passa por consolidar a liderança ibérica em logística de comércio eletrónico, alargar a presença na cadeia de valor e captar crescimento nos fluxos transfronteiriços, nomeadamente através da integração da Cacesa e da joint venture com a DHL. A empresa pretende evoluir o modelo operacional, combinando last mile com serviços de maior valor, e reforçar a especialização tecnológica para aumentar produtividade e qualidade.
No segmento de correio e serviços, a estratégia é de estabilização e extração de valor. Inclui revisão de preços, eficiência operacional e reforço das soluções empresariais e de pagamentos, tirando partido da rede física. No Banco CTT, o objetivo é acelerar crescimento e rentabilidade, expandindo a base de clientes, reforçando poupança e crédito e integrando canais físicos e digitais.
A execução vai exigir investimento em tecnologia, engenharia e automação, com criação de uma plataforma operacional ibérica integrada e maior intensidade digital. A empresa prevê também reforçar a rede de pontos de recolha e entrega, ampliar a cobertura e melhorar a eficiência de distribuição, numa lógica de ganho de densidade e redução de custos unitários.
“Os CTT têm potencial para prosseguir na rota de crescimento atual. O comércio eletrónico vai continuar a crescer, os fluxos logísticos também se vão continuar a alterar, criando novas oportunidades e com maior escala”, diz João Bento ao Jornal Económico. “Voltámos a estabelecer objetivos muito ambiciosos para 2028. Estou absolutamente convicto de que esses objetivos serão de novo atingidos”, acrescenta.
Pacheco contará com uma ajuda. O Banco CTT é apetecível, mostra crescimento e rendimento e, não sendo um pilar central da atividade da empresa ou uma peça chave do caminho a fazer, pode ser vendido. Para reforçar o negócio e cumprir a ambição prometida.
“A nova comissão executiva renovará certamente a ambição dos CTT e deixará a sua marca no próximo ciclo”, afirma Bento.
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