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Portugal está interessado em sistemas de defesa de longo alcance

Portugal está interessado em sistemas de defesa de longo alcance

A fábrica de radares de Thales, em Limours, a cerca de 40 quilómetros do centro de Paris, abriu as portas à comunicação social para revelar uma nesga do processo de fabrico de radares que irão equipar alguns exércitos a nível global. A multinacional francesa, que é hoje uma das maiores empresas globais na área da Defesa, vendeu, em novembro de 2024, ao exército português equipamento de defesa móvel de muito curto alcance, VSHORAD – Thales ForceShield. Este inclui um radar GM200 e dois tipos de mísseis: LMM de alta velocidade e Starstreak, capazes de atingir um alvo a 10 quilómetros. No equipamento estão ainda incluídos três lançadores de curto alcance, Rapidranger, montados em três veículos. O equipamento foi comprado com verbas da Lei da Programação Militar e deverá chegar a Portugal no final deste ano.
O interesse de Portugal em adquirir equipamentos à Thales tem aumentado. De acordo com Raphaël Desi, vice-presidente para a área de sistemas integrados de Defesa da Thales, “Portugal, como outros países europeus, está a investir na sua defesa e a modernizar as suas capacidades. Embora não possa falar pelo governo português, posso dizer que estamos a discutir todos os diferentes componentes do sistema Sky Defender (ver quadro), como a vigilância aérea e a defesa aérea de médio e longo alcance, com as forças militares portuguesas.”

Procura por radares muda processos na fábrica

A multinacional francesa é hoje uma das maiores empresas na área da Defesa a nível mundial. Em Limours fabricam-se já os radares de nova geração que vão equipar os exércitos no futuro. Uma vez na fábrica, criteriosamente localizada num planalto a 180 metros de altitude, com vales e bosques isolados a circundar, para salvaguardar a eficácia dos testes dos radares e a segurança das populações, somos encaminhados para uma sala onde o vice-presidente de Estratégia e Marketing para Radares de Superfície, Eric Marceau, faz um briefing sobre os negócios da Thales a nível mundial. Poucos minutos depois, somos guiados pelo engenheiro Thomas Carpentier, diretor de produto da fábrica, para uma visita que começa pela zona de montagem dos radares. Com os devidos avisos daquilo que não se pode fotografar, vemos como se montam os novos Ground Master 400, que incluem componentes de mais 40 fornecedores, explica Thomas Carpentier. Este é um radar com alcance de 500 quilómetros e dez toneladas de peso, que pode ser posteriormente colocado em camiões ou torres de vigilância.
Carpentier revela que o aumento na procura pelos radares obrigou a fábrica a alterar processos para melhorar a velocidade de produção, e a “contratar muitos engenheiros”. De volta ao exterior da fábrica, apresenta o radar Ground Fire 300, com 400 quilómetros de alcance, “multifuncional e que observa o espaço aéreo para detetar possíveis ameaças”. O responsável explica que estes radares, que fazem uma rotação sobre si mesmos no espaço de 1 segundo, a 60 rotações por minuto, conseguem detetar e analisar insetos. “A maior dificuldade são os alvos que se movem ou muito depressa ou muito devegar”, revela. Já no final da visita, entramos numa sala forrada com grandes cones azuis pontiaguados que isolam o som de um radar em processo de calibragem. “Esta sala serve, sobretudo, para detetar sons e verificar a qualidade das transmissões”. Um espaço com dimensões e características únicas na Europa.

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