Trump pondera retirar tropas dos EUA estacionadas na Alemanha depois do ‘episódio da humilhação’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou a Alemanha e outros aliados da NATO por não enviarem as suas marinhas para ajudarem a manter o Estreito de Ormuz navegável, disse esta quarta-feira que a sua administração está a estudar a possibilidade de reduzir o número de tropas norte-americanas estacionadas na Alemanha. “Os Estados Unidos estão a estudar e a analisar a possível redução de tropas na Alemanha, e será tomada uma decisão breve”, disse Trump nas redes sociais.
A decisão surge no dia a seguir a o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter dito num debate público que “o Irão está a humilhar os Estados Unidos”, uma vez que consegue colocar o Estreito de Ormuz na condição de uma arma de forte potência – e que, em consequência disso, manipula como quer a ‘novela’ das negociações de paz.
Mas, segundo a imprensa norte-americana, a retirada de tropas pode ser mais geral e compreender toda a Europa. Segundo a agência Reuters, no início deste mês Trump discutiu com a sua equipa a possibilidade de retirar algumas tropas da Europa. Os Estados Unidos têm pouco mais de 68 mil militares alocados permanentemente nas suas bases na Europa (dados de dezembro de 2025, segundo dados do Centro de Dados de Recursos Humanos da Defesa dos EUA, DMDC). Mais da metade (cerca de 36.400) estão baseados na Alemanha.
O número de efetivos norte-americanos é apenas uma fração dos 250 mil soldados que estavam estacionados na Alemanha em 1985, antes da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria.
Trump respondeu a Friedrich Merz que o chanceler não sabe do que está a falar – e o político alemão destoou do geral dos líderes europeus que, apesar de todas as evidências de que os EUA deixaram de estar focados na defesa do Atlântico, transferindo as suas preocupações para o Pacífico, continuam a jurar fidelidade à NATO. Aliás, salientam alguns analistas, a relação da Europa com a NATO parece de algum modo ‘esquizofrénica’: é que os líderes europeus afirmam o seu comprometimento com a NATO ao mesmo tempo que dizem que a aliança militar deixou de cumprir as funções para que foi criada.
A decisão de Trump ocorreu horas depois de o general Carsten Breuer, o militar mais graduado das Forças Armadas da Alemanha, reunir com o subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby e outros oficiais para discutir a primeira estratégia militar da Alemanha fora do perímetro da NATO, o que nunca aconteceu antes.
Colby elogiou o documento alemão, que define o objetivo de Berlim de se tornar a maior força convencional da Europa, dizendo que ele mostrava “um caminho claro a seguir”. “O presidente Trump afirmou corretamente que a Europa precisa de assumir um papel mais ativo e que a NATO não pode continuar a ser um tigre de papel”, disse Colby num programa televisivo. “A Alemanha está agora a assumir a liderança nesse processo. Depois de anos de desarmamento, Berlim está a mobilizar-se.”
Rathke afirmou que as forças armadas norte-americanas beneficiam enormemente da presença avançada em bases no exterior, incluindo Ramstein, na Alemanha. “As forças americanas na Europa não são uma contribuição caridosa para europeus ingratos – são um instrumento do alcance militar global dos Estados Unidos”, disse.
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