Quase quatro em cada 10 jovens têm contratos de trabalho temporários
A precariedade é particularmente grande entre os jovens: um em cada três dos cerca de 36 milhões de jovens trabalhadores da União Europeia (UE) vivem em regime de trabalho temporário.
Portugal é o quarto país da União com mais trabalho precário entre os jovens: quase quatro em cada 10 trabalhadores, com menos de 30 anos, têm contratos temporários. Acima de Portugal, estão a Polónia (39,1%), a França (39,2%) e os Países Baixos (51,1%).
Na União Europeia, cerca de 13% dos trabalhadores por conta de outrem, o equivalente a 23 milhões de trabalhadores, têm contratos temporários.
Portugal está entre os cinco Estados-membros com percentagens mais elevadas, à semelhança dos Países Baixos, Polónia, França e Espanha, com 15,1% dos trabalhadores com contratos temporários.
Na UE, 19,2% dos trabalhadores estrangeiros tinham emprego temporário, em 2025, face a 12% entre os nacionais de cada país.
Portugal está entre os países com maior diferença na percentagem de trabalho temporário, por nacionalidade, com quase 34% de estrangeiros e quase 14% de trabalhadores nacionais.
O retrato é da Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, e divulgado este Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador.
Trabalho a tempo parcial
Na UE, 18,8% dos trabalhadores estão a tempo parcial, mas há uma grande variabilidade entre países. Portugal apresenta uma das proporções mais baixas (8,1%), em contraste com países como os Países Baixos, com 43,8%.
Na UE, o trabalho a tempo parcial é particularmente prevalente entre as mulheres (29,1% face a 9,8% entre os homens) – embora em Portugal essa diferença de género seja menos acentuada (10,4% vs 5,9%) – e entre os trabalhadores com menos de 25 anos (34,7%).
Trabalho por Conta Própria
Cerca de 13,7% dos trabalhadores da UE são trabalhadores por conta própria. Portugal apresenta um valor alinhado com o padrão europeu (14,7%). A Grécia é o país que regista a proporção mais elevada (25,2%).
Trabalho à distância
O trabalho à distância (sempre ou apenas alguns dias por semana) é praticado por 23,1% dos trabalhadores na União Europeia. Portugal apresenta um valor ligeiramente inferior, de 21,3%. Países com salários mais elevados tendem a ter maior prevalência de teletrabalho.
Salários
Em Portugal, o salário mínimo nacional fixou-se nos 920 euros, em 2026, um aumento de 50 euros em relação a 2025, que supera a taxa de inflação desse ano (2,3%).
Em termos de evolução de longo prazo, o salário mínimo mais do que triplicou, entre 1995 e 2025 (de 259,4 euros para 870 euros em valor nominal) e, em termos reais (anulando o efeito da inflação), é cerca de 75% superior.
Considerando a União Europeia como um todo, o salário médio (valor bruto, ajustado a tempo completo), em 2024, era de 3.317,3 euros mensais, um valor que não reflete a realidade de muitos países, devido às grandes diferenças salariais entre os 27 Estados-membros.
No Luxemburgo, o país que, em média, mais paga aos trabalhadores (6.914,10 euros), os salários são cinco vezes superiores aos do país com salários mais baixos, a Bulgária, com 1.282,3 euros e são mais do triplo dos praticados em Portugal: 2.068,2 euros.
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