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Trabalhar em Lisboa pode significar quase mais três salários por ano

Trabalhar em Lisboa pode significar quase mais três salários por ano

Quase mais três salários por ano é quanto vale trabalhar em Lisboa, um sinal que demonstra um desequilíbrio em relação ao resto do território. Um salário na capital pode significar mais 525 euros por mês em relação ao interior do país. Esta é uma das conclusões apresentadas pelo Randstad Research, divulgado esta sexta-feira, 1 de maio, no âmbito do Dia do Trabalhador.
De resto, Lisboa é a única região onde o salário médio líquido ultrapassa os 1.400 euros mensais (1.469 euros), sendo que no Algarve esse valor desce para os 1.177 euros, uma diferença mensal de 292 euros.
Nas remunerações declaradas esta diferença acentua-se ainda mais com a capital a aproximar-se dos 1.800 euros e o interior a manter-se abaixo dos 1.300 euros mensais. Contudo, este fosso também representa um maior número de horas trabalhadas, que no caso de Lisboa ultrapassa as 40 horas semanais, representando 21,5% do total.
No Norte, 59,1% dos trabalhadores cumprem a jornada padrão entre 36 e 40 horas, enquanto nas regiões autónomas dos Açores e Madeira, e no Alentejo, verifica-se uma maior incidência de horários entre 31 e 35 horas semanais.
Com 5,28 milhões de pessoas empregadas em 2025 (+3,2% face ao ano anterior), as indústrias transformadoras representam 15,9% do emprego, seguidas do comércio (14,6%), saúde (10,1%), educação (8%) e construção (7,1%).
No entanto, estas áreas têm diferentes tipo de peso por região. O Norte (32,6%) e o Centro (29,9%) são o principal eixo industrial, enquanto o Algarve (14,6%) e a Madeira (14,2%) dependem fortemente do turismo (alojamento e restauração).
Por sua vez, Lisboa (14,3%) e a Península de Setúbal (15,5%) concentram o comércio e os serviços, enquanto o Alentejo apresenta uma maior dependência da administração pública, responsável por 12,7% do emprego regional.
No caso da qualificação, em Lisboa 37,5% dos trabalhadores são especialistas e 45,8% integram quadros superiores ou funções de chefia, valores acima da média nacional (29,5%). Já os Açores apresenta apenas 18,9% de especialistas, enquanto a proporção de cargos de chefia desce para 1,6%, ligeiramente abaixo dos 2% na Madeira, cerca de metade da média nacional (4,0%). Estas regiões concentram também os níveis mais elevados de trabalhadores não qualificados, com 14,1% nos Açores, 13,9% na Madeira e 12% no Alentejo.
Portugal conta com uma taxa de população desempregada de 36,8%, mas analisando as regiões atinge os 43,5% no Alentejo e 41,7% no Norte. Em Setúbal, a taxa de desemprego total chega aos 8%, a mais elevada do país.
Já o Algarve apresenta 24,2% de desemprego de longa duração, evidenciando maior capacidade de absorção, ainda que influenciada pela sazonalidade. O Centro regista uma taxa de desemprego de 5% e uma incidência de longa duração de 30,8%, abaixo da média nacional.

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