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Fusão da Galp com espanhóis continua viva apesar da guerra

Fusão da Galp com espanhóis continua viva apesar da guerra

Nada muda. A fusão da Galp com a Moeve é mesmo para avançar. Apesar da guerra no Médio Oriente e da maior crise energética de sempre, mantém-se intacto o objetivo de fechar o acordo nos próximos dois meses.
“Não muda absolutamente nada. Todas as peças estão em movimento e estão no seu timing. Mantemos as expectativas de fechar um acordo”, garante ao JE o copresidente-executivo João Diogo Marques da Silva.
“O contexto internacional não altera, até reforça. Porque uma plataforma maior e integrada na Europa só sai reforçada com o contexto internacional que temos”, em termos de escala, complementaridade, flexibilidade e segurança, afirmou o gestor.
A Galp e a Moeve querem fundir as suas redes de postos de combustível, mas também as suas refinarias (duas em Espanha, uma em Portugal).
A fusão entre a Galp e a Moeve vai dar origem a uma empresa com 3.500 postos de abastecimento em Portugal e Espanha e vai ter a capacidade para processar 700 mil barris diários de petróleo e combustíveis. com o potencial para gerar receitas na ordem dos 2,8 mil milhões de euros.
“Queremos uma plataforma que olha para a transição energética, para moléculas verdes. Uma plataforma que nos dá mais capacidade nos mercados internacionais”, acrescentou.
Já os projetos de expansão da refinaria de Sines (hidrogénio verde e biocombustíveis) na ordem dos 650 milhões, são para manter. De fora ficam os ativos de exploração de petróleo da Galp, assim como a venda de eletricidade e de gás e o negócio de trading.
“A qualidade dos ativos das refinarias que se vão juntar é um aspeto fundamental. Nesta altura, estamos concentrados em garantir uma segurança de abastecimento ao mercado português. Com uma escala adicional, com mais produtos, mais complementaridade… essa situação só pode sair reforçada”, defendeu.
Olhando para outras frentes, no Brasil a companhia espera que a plataforma-navio Bacalhau atinja este ano a sua capacidade máxima, mas prefere esperar para ver, antes de rever em alta a meta anual de 130 mil barris diários.
“Este é o maior equipamento desta natureza a operar naquela região. Isto é pré-sal, a alta profundidade. Há novos poços a entrar, vai haver períodos em que é preciso fazer alguma intervenção. É fundamental que o mercado tenha noção de que ainda temos caminho pela frente, e que tem de ser levado com cuidado. O parceiro operador não é a Petrobras, é um parceiro com menos experiência [Equinor]. E queremos manter uma perspectiva conservadora e cautelar.”, explicou a copresidente Maria João Carioca.
Olhando para a Namíbia, a empresa anunciou que vai iniciar uma nova fase de pesquisa até ao final deste ano na área de Mopane, mas novidades só deverão haver a partir do início do próximo ano.
A Galp anunciou os seus resultados trimestrais esta semana tendo gerado lucros de mais de 270 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, mais 41% face a período homólogo, com a subida a ser alcançada à boleia do aumento de produção de petróleo e gás no Brasil, com o novo navio-plataforma na área de Bacalhau a contribuir decisivamente para esta subida.
A companhia destacou o “período de alta volatilidade” vivido no primeiro trimestre com “disrupção no abastecimento” e “desequilíbrio do mercado” devido à guerra no Médio Oriente.
A refinaria de Sines abastece 80% do consumo nacional de combustível para aviões, com o país a não estar em risco de escassez, segundo a empresa que detém a infraestrutura.
“Há um conjunto de medidas que são mitigadoras e que nos permitem estar relativamente confortáveis, mas ativos, para dizer que nesta altura não há sinal de alarme em Portugal”, disse João Diogo Marques da Silva.

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