Centrais eólicas nos EUA debaixo da mira de Trump
Depois da ofensiva contra as centrais marítimas, o executivo de Donald Trump está agora a empatar a aprovação de centrais eólicas em terra.
O “Financial Times” revela esta segunda-feira que o ministério da Defesa está a empatar as aprovações de 165 projetos, que carecem da sua aprovação para garantir que não interferem com os sistemas de radar.
O jornal considera mesmo que é uma “grande escalada na cruzada do presidente contra as energias renováveis”.
Os dados foram revelados pela American Clean Power Association (ACP), apontando que existem projetos em várias fases de desenvolvimento, incluindo prestes a entrar em operação e outros que habitualmente não precisariam de aprovação.
Em alguns casos, a avaliação chegava a demorar apenas alguns dias, mas não é o que tem estado a acontecer desde agosto de 2025, com o ministério da Defesa a não aprovar os projetos, a informar os promotores de suspensão dos processos ou de cancelar os projetos sem a possibilidade de revisões.
Do total, 35 projetos já tinham as negociações concluídas e esperam só luz verde do ministério da Defesa.
Outros 30 projetos enfrentam um cancelamento total, com outros 50 em negociações e outros 50 sob análise, mas que normalmente seriam aprovados, segundo promotores e consultores disseram ao “FT”.
Estas centrais eólicas podem gerar até 30 gigawatts, suficientes para abastecer 15 milhões de famílias.
O ministério da Defesa diz estar a rever os seus processos de avaliação do impactos do projetos de energia na segurança nacional.
É que o executivo Trump não está só a impedir projetos em terrenos públicos, mas também em privados.
Desde há muito que Donald Trump tem criticado a energia eólica, considerando os aerogeradores a “pior forma de energia”, prometendo não deixar que mais nenhum “moinho seja construído”.
“O facto que o Governo está a dizer a proprietários privados que não podem gerar atividade económica e valor das suas propriedades é difícil de reconciliar com os valores conservadores”, segundo Jason Grumet da ACP.
“As tentativas do executivo Trump de bloquear projetos eólicos continuam a ser derrotadas em tribunal, e agora tenta métodos mais extremos e absurdos”, segundo Kit Kennedy do grupo ambientalista Natural Resources Defense Council (NRDC).
A EDP anunciou recentemente que suspendeu três projetos eólicos, mas marítimos (offshore) nos EUA devido à incerteza criada por Donald Trump que já disse publicamente não gostar das centrais marítimas.
“Estão em modo de hibernação”, disse o presidente da EDP à “Bloomberg”. “Basicamente, estacionámos os projetos à espera de melhores dias”. A companhia vai receber um reembolso de 200 milhões de dólares por parte dos EUA.
Miguel Stilwell d’Andrade considera que a EDP foi “sortuda” por não tomado decisões finais de investimento, isto é, sem a construção ter arrancado ou sem ter injetado quantidades significativas de capital.
“Alguns dos nossos pares estão a meio da ponte. Ainda não começámos a atravessar a ponte, estávamos a começar a atravessar e parámos”, afirmou.
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