Apomed diz que investimento em tecnologias médicas trouxe poupança de 800 milhões
“Existiu um crescimento real do setor das tecnologias médicas nos últimos 30 anos”, avançou, Antonieta Lucas, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (Apomed). Um estudo levado a cabo pela associação, indica que o investimento nessas tecnologias, entre as quais a que permite cirurgia de ambulatório, trouxe uma poupança de 800 milhões de euros, refernindo que a saúde “deve ser encarada como um valor acrescentado e não como um custo.
As declarações foram proferidas durante a conversa “Valor com potencial” entre a responsável da Apomedd e João Almeida Lopes, presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), moderada por André Macedo, diretor do Jornal Económico (JE).
Na conversa, que ocorreu durante a conferência “Economia da Saúde” que decorreu esta terça-feira no auditório da Morais Leitão, em Lisboa, organizado pelo JE, João Almeida Lopes sublinhou o acordo “inovador do Governo” para a área do medicamento, assinado em março de 2025 que garantir um melhor controlo da despesa pública com fármacos, através da atribuição de um teto de crescimento máximo de 7% na despesa com medicamento.
Exportação de farmacêuticos
“Não estamos ainda na fase final do apuramento das contas, mas não vamos ficar longe do acordado com o governo para a Legislatura”, acrescentando que é um acordo inovador “pela primeira vez estamos a propor atrativos para investirem em Portugal. É o aspeto mais marcante do acordo, em 2025 o peso da exportação dos produtos farmaceuticos 1,6% do PIB”.
João Almeida Lopes, presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmancêutica.
Desde 2014 que existe uma taxa extraordinária do Estado que é paga quer pelo setor dos medicamentos quer pelos dispositivos médicos. João Almeida Lopes disse que os associados da Apifarma encontraram uma maneira de abater a taxa, tornando-a incentivo para investir em Portugal e “fazer crescer a economia da saúde”. “Existem hubs a serem criados todas as semanas , é uma atratividade para uma área industrial estratégica. Não me recordo nos últimos anos, a não ser na AutoEuropa, de uma atividade tão centrada para fazer crescer a economia”.
Já Antonieta Lucas indicou que a “taxação é uma enorme preocupação”. “Não temos a capacidade de fazer as deduções como fazem as empresas na área do medicamento”. A taxação não permite a evolução de empresas em Portugal, criando assim uma clusterização ibérica quer de empresas quer dos cargos de gestão, “que na maioria ficam no país maior”. “Felizmente os portugueses começam, pela sua formação e talento, a ter cargos de excelência”.
A área da investigação foi outro dos temas abordados na conversa. Os dois participantes concordaram que, atualmente, os profissionais de saúde não têm tempo alocado para a área de investigação. E para tal acontecer, “há de ter uma decisão, a nível de país, para que isso aconteça”. “Sou uma grande defensora da digitalização da saúde e do uso da inteligência artificial”, concliui Antonieta Lucas
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