Europa enfrenta um choque de estagflação, afirma Dombrovskis após reunião do Eurogrupo
O Comissário Europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, alertou esta segunda-feira para o efeito de estagflação que a guerra com o Irão está a criar para o bloco.
“O aumento dos preços da energia afeta todos os agentes da economia europeia, empresas e famílias, e está a impulsionar a economia da UE para um caminho de crescimento mais fraco e inflação mais alta”, disse aos jornalistas nesta segunda-feira, o Comissário da Economia no final da reunião do Eurogrupo em Bruxelas. “A Europa enfrenta um choque de estagflação”, refere citado pela Bloomberg.
“Além disso, se analisarmos as últimas estimativas de inflação, publicadas na passada quinta-feira, estas apontam para uma inflação de 3,0% na zona euro. E este aumento é impulsionado principalmente por uma subida dos preços da energia, que subiram 10,9% em termos homólogos” reforçou Dombrovskis.
Falando ao seu lado em Bruxelas, o responsável do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, tentou minimizar a situação. “Estamos numa tendência de estagflação, o que significa que estamos a rever em baixa as nossas projeções de crescimento e a rever a inflação em alta”, disse. “Mas ainda não estamos em plena estagflação”, ressalvou.
Os comentários surgem depois de a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, ter afirmado na semana passada que a estagflação é um termo que pertence aos anos 70 e não deve ser utilizado para descrever a atual situação da zona euro.
A Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, deverá publicar novas previsões económicas este mês, afirmou esta segunda-feira Dombrovskis.
A Comissão Europeia vai apresentar as previsões económicas de Primavera a 21 de maio.
“O impacto económico global dependerá da evolução do conflito, em particular das suas implicações no fornecimento de energia e nas infraestruturas”, disse. “Numa nota mais positiva, as nossas economias estão agora mais bem preparadas para absorver o choque energético do que em 2022”, acrescentou Dombrovskis.
A UE e o BCE têm sido firmes na necessidade de que quaisquer medidas de apoio governamental às famílias e às empresas sejam temporárias, direcionadas e adaptadas.
“A nossa margem de manobra já é mais limitada hoje em dia devido aos níveis mais elevados de défice e dívida, a um ambiente de taxas de juro mais elevadas e à necessidade urgente de gastos adicionais em defesa”, disse Dombrovskis. “Por isso, simplesmente não nos podemos dar ao luxo de repetir os erros do passado.”
Os Ministros das Finanças da Zona Euro estiveram reunidos em Bruxelas.
Share this content:



Publicar comentário