Kone compra TKE por 30 mil milhões para criar líder global de elevadores
O mercado global de elevadores é dominado por um pequeno grupo de grandes empresas, responsáveis por assegurar a maioria das deslocações em edifícios por todo o mundo. Num setor altamente concentrado, estas companhias não só instalam novos equipamentos como garantem a manutenção de milhões de elevadores. Duas delas — a finlandesa Kone e a alemã TKE (ex-thyssenkrupp) — anunciaram a sua fusão, dando origem à maior fabricante de elevadores do mundo. O negócio, em ações e numerário, avalia a TKE em 29,4 mil milhões de euros.
O grupo resultante terá sede na Finlândia, mais de 100 mil trabalhadores em 100 países, e uma faturação anual de 20,5 mil milhões de euros. O acordo precisa ainda de aprovação regulatória e dos acionistas e deverá ficar concluído em 2027. “Esta operação, que revitaliza o setor, reúne duas empresas globais de excelência, com presenças geográficas e plataformas de inovação altamente complementares”, referiu o comunicado conjunto.
Segundo o banco de investimento Jefferies, a nova empresa irá dominar o setor, com uma quota de mercado global de cerca de 28%. Isso colocá-la-á bem acima da americana Otis, a atual líder com 18% do mercado, e da suíça Schindler, que disputava o segundo lugar com a Kone, com 15%.
A Roland Berger estima que a fatia de receitas gerada pela venda de novos elevadores diminuirá ao longo do resto da década, manter-se-á estável na manutenção e continuará a crescer na modernização. A Kone acredita que existiam, em todo o mundo, 10 milhões de elevadores com mais de 15 anos em 2024, e que esse número aumentará para cerca de 16 milhões até 2030, com 300 mil por ano a necessitar desde pequenas atualizações até uma renovação completa.
O CEO da Schindler, Paolo Compagna, classificou a fusão como um “banho de sangue” e prometeu garantir que as autoridades antitrust de todo o mundo analisem o negócio com atenção. Diz-se que a Otis está igualmente preocupada. A Comissão Europeia já sinalizou que pretende reformular as suas orientações sobre fusões para facilitar que empresas se unam e criem “campeões europeus”. Aprovar a união entre Kone e TKE será um teste ao seu compromisso com essa estratégia.
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