Subida dos custos logísticos pode afetar exportações, alerta Câmara luso-chinesa
O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse hoje à Lusa que o aumento dos custos de transporte devido ao conflito no Médio Oriente poderá afetar as exportações portuguesas.
Na segunda-feira, o líder da Associação de Fabricantes Chineses de Hong Kong (CMA, na sigla em inglês) disse que algumas empresas reportaram subidas de até 100% nos custos de logística de longa distância com o Médio Oriente e a Europa.
De acordo com a emissora pública RTHK, Wingco Lo Kam-wing acrescentou, num almoço com a imprensa local, que também os custos dos seguros de transporte aumentaram.
“Claro que isto vai afetar as exportações portuguesas”, confirmou Bernardo Mendia, que é também presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong.
Por um lado, explicou o empresário, a subida dos custos de logística torna os produtos portugueses “mais caros, logo, menos competitivos” no mercado internacional.
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram hostilidades contra o Irão, em 28 de fevereiro, Teerão controla o estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica, por onde passa normalmente um quinto do consumo mundial de petróleo.
Cerca de 20 mil marinheiros estão retidos na região, de acordo com a agência de segurança marítima UKMTO, que acompanha navios em todo o mundo e está sob a tutela do exército do Reino Unido.
O bloqueio de Ormuz fez disparar o preço do petróleo nos mercados mundiais. Desde o início do ano, a cotação do Brent, crude do Mar do Norte, de referência na Europa, já subiu 88%.
A cotação do petróleo Brent para entrega em julho terminou a sessão de segunda-feira no mercado de futuros de Londres a aumentar 5,8%, para 114,44 dólares (97,92 euros).
Ao tornar o transporte mais caro, a subida da cotação do crude irá arrastar os preços de todos os produtos e alimentar pressões inflacionistas, alertou Bernardo Mendia.
Ou seja, “também os mercados de destino [das exportações portuguesas] terão menos dinheiro para os adquirir”, explicou o secretário-geral da CCILC.
Em 2025, Portugal exportou mercadorias no valor de 2,85 mil milhões de dólares (2,44 mil milhões de euros) para o mercado chinês, menos 10,2% do que no ano anterior.
No sentido contrário, o mercado português comprou bens à China no valor de 7,19 mil milhões de dólares (6,15 mil milhões de euros), mais 17,7% do que em 2024, de acordo com dados oficiais dos Serviços de Alfândega chineses.
Na segunda-feira, o presidente da CMA advertiu que um prolongamento do conflito poderá provocar uma recessão económica global, caso afete ainda mais a cadeia de abastecimento global e o prazo de entrega dos produtos.
Wingco Lo sublinhou que, mesmo no que toca à logística de curta e média distância, algumas empresas que fazem parte da associação reportaram subidas de 10% a 30% nos custos.
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