BCP supera expectativas no 1º trimestre com Portugal em destaque. Jefferies recomenda compra das ações
O Banco Comercial Português (BCP) apresentou resultados do primeiro trimestre de 2026 acima das expectativas do mercado, o que levou o banco de investimento Jefferies a reforçar a “Comprar” com preço-alvo de 1,10 euros (o que traduz um potencial de valorização de cerca de 19,6% face aos 0,92 euros atuais).
O resultado líquido atingiu 306 milhões de euros, superando em 8% o consenso, beneficiando parcialmente de um efeito extraordinário positivo nas receitas de trading. Ainda assim, o desempenho operacional mostrou-se sólido, com receitas acima do esperado e custos controlados.
Portugal impulsiona crescimento
Os analistas do Jefferies realçam que Portugal destacou-se como o principal motor de crescimento do grupo. A margem financeira em Portugal cresceu 10% em termos anuais, impulsionada pelo aumento dos volumes e pela expansão da margem de juros, mesmo num contexto de descida das taxas de juro.
A margem de juros em Portugal subiu 12 pontos base no trimestre, apoiada por gestão ativa de balanço.
As comissões aumentaram 8% face ao ano anterior, enquanto os custos cresceram apenas 5%, abaixo do crescimento das receitas (10%), evidenciando melhoria na eficiência operacional.
“Em Portugal o resultado líquido do 10% acima das expectativas, impulsionado pelas receitas (resultados de trading e margem de juros), com custos em linha com as previsões e imparidades abaixo do esperado. A margem de juro líquida portuguesa subiu 12 pb no primeiro trimestre, impulsionada pela contribuição da ALCO”, referem os analistas.
O crédito a clientes aumentou 10% em termos anuais, com forte dinamismo no segmento de particulares (+11%).
“Os empréstimos aumentaram 2% em termos trimestrais e 10% em termos homólogos. Os depósitos de clientes aumentaram 1% em termos trimestrais e 5% em termos homólogos, e os fundos fora de balanço mantiveram-se estáveis em termos trimestrais e aumentaram 10% em termos homólogos”, sublinha o Jefferies.
O custo do risco da atividade doméstica situou-se em 33 pontos base, dentro do intervalo previsto.
Polónia ainda fraca, mas com perspetivas de recuperação
Na Polónia, o desempenho foi mais fraco no trimestre, com a margem financeira a cair 3% face ao ano anterior, pressionada por taxas de juro mais baixas e crescimento limitado da carteira de crédito, sublinha o banco de investimento norte-americano.
O crédito hipotecário recuou 8%, mas a nova produção foi extremamente forte (+179%), beneficiando da resolução de litígios relacionados com créditos indexados aos francos suíços. Este fator deverá impulsionar o crescimento ao longo de 2026.
O crédito a empresas cresceu 23%, com nova produção a subir 122%, sinalizando uma dinâmica positiva no segmento corporativo.
Capital sob pressão
O rácio CET1 fixou-se em 15,1%, abaixo do esperado, refletindo uma queda de 50 pontos base no trimestre. Entre os fatores que contribuíram para esta descida estão impactos de mercado, fim de operações de securitização na Polónia e outros efeitos regulatórios.
Apesar disso, a rentabilidade manteve-se robusta, com um RoTE de 16,6%.
O BCP registou provisões totais acima do esperado, incluindo 50 milhões de euros relacionados com créditos em francos suíços na Polónia (abaixo da média trimestral de 2025); e 19 milhões de euros associados ao risco soberano em Moçambique.
O Jefferiez diz que parte do ganho extraordinário em trading foi utilizado para reforçar provisões em Portugal.
O custo do risco consolidado situou-se em 35 pontos base, com níveis considerados saudáveis tanto em Portugal (33 bps) como na Polónia (45 bps).
Concluindo, segundo o Jefferies, o BCP está a evoluir melhor do que o esperado para 2026, sobretudo devido ao forte desempenho em Portugal. Apesar de alguma fragilidade na Polónia e pressão sobre o capital, a tendência de crescimento permanece positiva, sustentada por melhoria nos volumes e eficiência operacional.
A casa de investimento mantém assim a recomendação de “Comprar”, destacando o potencial de valorização das ações.
As ações do BCP fecharam a sessão a subir 3,49% para 0,92 euros.
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