Benfica SAD ganha liga dos mercados: ações da águia são as mais eficientes
Sete euros e oitenta cêntimos de valorização e um preço de compra de oito euros por ação: nunca uma ação de um clube de futebol valeu tanto como as ações da Benfica SAD no rescaldo da entrada do fundo norte-americano Entrepreneur Equity Partner no capital social da empresa que gere o futebol profissional do clube da Luz.
A compra a 27 de abril deste ano de 16,38% do capital da SAD encarnada por parte deste fundo – quinhão que estava nas mãos de José António dos Santos, conhecido como Rei dos Frangos – levou estas ações a uma valorização de 18,2% na sessão de 28 de abril. Antes disso, as ações negociavam a 6,66 euros por cada título.
Com esta movimentação de mercado, as ações da Benfica SAD bateram um novo recorde, algo que não acontecia desde setembro de 2025, altura em que estes títulos chegaram a valer 6,78%, na altura como reação às notícias que davam conta que a SAD iria proceder à recompra de 10% do capital social que estavam “à solta” no mercado.
Afinal, quem ganha fora do campo?
O economista António José Duarte analisou o comportamento em bolsa das três SADs portuguesas cotadas – Benfica SAD, Sporting SAD e FC Porto SAD – com base no Total Return Index medido de forma mensal nos últimos 10 anos. Nesta análise, o especialista utilizou retornos em excesso face ao ativo de livre risco, aproximado pela Euribor a 1 mês.
“O objetivo da análise foi avaliar não apenas a rendibilidade absoluta, mas sobretudo a qualidade do retorno gerado por unidade de risco assumido”, destaca o economista.
Para esta análise, explica este especialista que foram anualizados o chamado excess return (para medir a rendibilidade gerada acima da taxa livre de risco) e o desvio-padrão (como medida de volatilidade), calculado o Sharpe Ratio (para avaliar a eficiência retorno/risco) e analisados o skewness e kurtosis (de forma a para captar assimetrias e eventos extremos na distribuição dos retornos).
Benfica SAD: o perfil mais eficiente
Nesta análise, os resultados sugerem que, entre os títulos dos três grandes, as ações da Benfica SAD são as que apresentam “o perfil mais eficiente em termos de retorno ajustado ao risco, com o ‘sharpe ratio’ mais elevado da amostra”. Note-se que o ‘sharpe ratio’ é uma métrica que avalia a rentabilidade de um investimento ajustada ao seu risco e que indica se o retorno extra justifica o risco assumido (em comparação com um investimento seguro).
Quanto à FC Porto SAD, estas ações registam, tal como as ações das águias, uma rendibilidade média expressa mas acompanha por uma curtose muito elevada, algo que sinaliza que esta ação tem uma maior exposição a movimentos extremos. A curtose é uma medida que fornece informações sobre como o título se comporta à presença de valores extremos.
No período analisado entre 2016 e 2026, as ações da Sporting SAD apresentaram uma menor rendibilidade e menor ‘sharpe ratio’, “refletindo uma relação retorno/risco menos favorável”.
Fonte: análise do economista António José Duarte
“Esta análise mostra que, mesmo em ativos com forte componente emocional e menor liquidez, como as SADs de futebol, métricas tradicionais de finanças permitem comparar de forma objetiva a rendibilidade, volatilidade e eficiência dos retornos. E mais importante do que olhar para quem sobe mais, importa perceber quanto risco foi assumido para gerar esse retorno”, conclui o economista António José Duarte.
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