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Aprender a aprender

Aprender a aprender

Se há palavra que é constante nas conversas com protagonistas de diferentes setores é literacia. A falta dela, claro. Nas finanças, na saúde, nas competências digitais. Na política. É transversal. É um entrave ao desenvolvimento das organizações, um óbice para ganhos de eficiência, um empecilho ao crescimento dos mercados. Os estudos compravam-no, porque aparecemos neles abaixo da média da OCDE e da UE na literacia de adultos, na numeracia, na resolução de problemas, na literacia financeira.
Isso ajuda a explicar fenómenos muito caraterísticos do mercado português, como as fragilidades na gestão da poupança, com o dinheiro atulhado em depósitos a ser comido pela inflação, a reduzida cultura de investimento e de participação nos mercados de capitais, ou a menor apetência por produtos de poupança, excluindo a habitação, obviamente. Mas também a utilização excessiva das urgências na saúde, os baixos indicadores de prevenção ou, mesmo, a fraca participação política e a confiança limitada nas instituições.
Mas há bons sinais, porque os jovens, naturalmente com mais formação, apresentam resultados razoáveis. Os adultos, mais velhos e menos escolarizados, puxam os resultados para baixo. Comparamos bem nas competências digitais, até porque somos early adopters e temos soluções públicas com recurso a tecnologia.
O problema para saltarmos mais alto é perceber que temos, agora mais do que nunca, de renovar constantemente competências. E o que vemos é que quem se dispõe a isso é quem já as possui, não quem as tem em falta. Por isso, a primeira aposta, geral, do Estado, das empresas, das organizações, para promover a literacia tem de ser o compelir a aprender. Na prática, para que se vejam resultados. Muda tudo.

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