Navigator regista lucros de 17,2 milhões de euros no 1º trimestre a caírem 64,3%
A Navigator Company apresentou um resultado líquido de 17,2 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, o que traduz uma queda de 64,3% face ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, e apesar de um trimestre marcado por forte volatilidade geopolítica no Médio Oriente, que impulsionou os preços da energia, e pelas consequências da depressão Kristin em Portugal — que provocou disrupções nas operações industriais da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão —, a empresa manteve uma sólida rentabilidade e uma geração de caixa robusta.
O volume de negócios atingiu os 427 milhões de euros, com um EBITDA de 65 milhões de euros (margem de 15,2%). O resultado operacional (EBIT) ficou em 22,9 milhões de euros. A empresa gerou 28,2 milhões de euros de cash flow livre, reforçando a sua capacidade financeira mesmo num período de investimento significativo.
Um dos destaques do trimestre foi o contributo crescente dos novos negócios. Os segmentos de Tissue e Packaging representaram já cerca de 40% do EBITDA do Grupo, confirmando o sucesso da estratégia de diversificação. O Packaging registou um forte crescimento, com o volume de vendas a subir 36% face ao primeiro trimestre de 2025 e 16% face ao quarto trimestre, impulsionado pela penetração em segmentos de baixas gramagens e soluções sustentáveis.
O negócio de Tissue, apesar de condicionado pela elevada competitividade no Reino Unido e pelo projeto de transformação industrial em curso, mantém uma posição resiliente e prepara-se para reforçar a eficiência operacional até ao final do ano.
No Tissue, a Navigator aprovou uma nova máquina em Aveiro de 70 mil toneladas/ano, com investimento global de 115 milhões de euros e apoio do Portugal 2030. A unidade vai alimentar a operação no Reino Unido, que já transforma 130 mil toneladas/ano. O arranque está previsto para março de 2028, mas o mercado já antecipa o impacto nas vendas e na quota europeia.
A Navigator conseguiu mitigar parte dos impactos negativos — nomeadamente o aumento do custo da madeira importada, sobrecustos logísticos e maior consumo de energia fóssil — através de uma gestão rigorosa de custos, da política de cobertura de riscos e da elevada eficiência operacional (com uma taxa operativa de 90% no final do trimestre).
A cortou o endividamento líquido em 28 milhões de euros face a dezembro de 2025, fixando-o em 675,4 milhões de euros. O rácio Dívida Líquida/EBITDA mantém-se controlado em 2,08x, com 414 milhões de euros em linhas de financiamento disponíveis.
Para os próximos trimestres, a empresa antecipa uma melhoria dos resultados. O segmento da Pasta beneficia de uma recuperação clara dos preços, enquanto no Papel UWF, no Tissue e no Packaging já foram anunciados aumentos de preços que deverão ter impacto positivo a partir do segundo trimestre. A nova máquina de Tissue em Aveiro e os projetos de reconversão industrial reforçam o posicionamento futuro do Grupo.
“Num ambiente tão desafiante, a Navigator demonstrou mais uma vez a sua capacidade de resiliência, sustentada na diversificação do portefólio, na qualidade dos seus produtos e no compromisso com a inovação e a sustentabilidade”, sublinhou a administração.
A Navigator continua a ser a terceira maior exportadora portuguesa e a maior geradora de Valor Acrescentado Nacional, com 2,5% das exportações de bens do país.
Com uma estratégia de transição para uma bioeconomia florestal e com investimentos em curso no âmbito do PRR e do Portugal 2030, a Navigator reafirma a sua confiança no potencial de criação de valor a médio e longo prazo.
A Navigator revela que dos 42 milhões de euros investidos entre janeiro e março, 53% foram canalizados para projetos ambientais e de eficiência que já criam valor hoje e reduzem custos amanhã. A lógica é clara: cada euro em descarbonização e modernização industrial é um euro a menos em químicos, madeira, energia ou emissões no futuro.
Para financiar a descarbonização, o Grupo contratou com o BEI a segunda tranche de 40 milhões de euros de um financiamento total de 80 milhões. Já recebeu também 84 milhões de euros em incentivos do PRR, mantendo todos os projetos dentro dos prazos e custos definidos.
As emissões diretas de CO2 fóssil caíram 41% em 2024 face a 2018 e a meta é chegar a 60% de redução já em 2026, três anos antes do previsto. Menos emissões significam menos custos com licenças e mais competitividade, segundo a empresa.
Share this content:


Publicar comentário