Operadores Meo, NOS e Vodafone divergem da visão que a Anacom tem do setor
Os presidentes executivos (CEO) da Meo, NOS e Vodafone Portugal divergiram hoje da visão que a presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) tem do setor, que classificou de robusto e competitivo.
A presidente da Anacom, Sandra Maximiano, considerou hoje que o setor das telecomunicações está robusto, sólido, competitivo e com capacidade de investimento.
“Aquilo que influencia de facto a nossa vida enquanto operadores em Portugal é a regulação e a legislação portuguesa” e “eu ouvi agora mesmo a (…) presidente do regulador descrever um mercado de comunicações que não é o nosso”, começou por dizer o CEO da NOS, Miguel Almeida, que falava no painel “Estado da Nação das Comunicações”, no último dia do congresso da APDC (Digital Business Congress), que decorre no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o mote “A Europa na Era Digital – O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação”.
“Não sei qual é, mas ela descreveu um mercado que não é o nosso. Isso preocupa-me, porque a premissa de ter uma imagem do mercado que não corresponde à realidade, dificilmente vai levar a boas decisões”, apontou Miguel Almeida.
Ana Figueiredo, CEO da Meo, seguiu na mesma linha e apontou que ainda nada se sabe sobre a renovação do espectro que acontece já em 2027.
“Eu também não me revejo nessa robustez” e “acho que entre os três operadores que estão aqui, nós fizemos todos reduções e alterações do nosso quadro de quadros e de pessoas”, apontou a gestora.
Provavelmente entre os três, no espaço de um ano, “houve uma redução, ou pelo menos na Meo houve uma redução de 1.200 pessoas, através de programas, obviamente sido voluntários”, apontou, referindo que a empresa continua a recrutar muitas competências.
“A saúde do setor, eu não sei como é que exatamente se define, se calhar provavelmente teremos definições diferentes da maneira como a senhora presidente a descreveu e como nós a descrevemos”, apontou, por sua vez, CEO da Vodafone Portugal, Luís Lopes.
“Se olharmos para outros indicadores” como as receitas de retalho, estas “voltaram a cair, coisa que não se verificava há mais de sete anos e as receitas de retalho em 2025 vão ser o mesmo nível das receitas de retalho de 2013”, enquadrou.
Portanto, “terei que recuar quase 15 anos para atingir o nível de receitas que o mercado de telecomunicações em Portugal tinha”.
Tudo isto num “contexto em que o número de subscritores ou utilizadores de banda larga quase duplicou neste horizonte de tempo e o número de clientes de móvel também cresceu quase 5% neste período de tempo”.
Portanto, “temos um setor que cresce clientes e que cai receitas”, reforçou a ideia.
“Não sei se isto é uma definição de setor saudável, na minha opinião não é, porque é um setor que exige muito investimento e não pode ser visto numa ótica simplesmente de é rentável ou não é rentável este ano, porque todos nós que aqui estamos vamos tomar decisões muito importantes de investimento que têm impacto muito grande no futuro”, salientou Luís Lopes, que alertou: “Se não houver confiança sobre o futuro, não há esse apetite para fazer investimento”.
O setor “está robusto, diria que temos um setor sólido que é competitivo, com capacidade de investimento e isso tem-se refletido nos últimos”, embora “isso não signifique que não seja um setor que precise de mais financiamento”, disse Sandra Maximiano, antes do debate entre os operadores.
A responsável disse ainda que o setor tem vindo “a ganhar um novo dinamismo” com a entrada de um quarto operador, a Digi.
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