Sistema bancário europeu só será competitivo se ganhar escala, diz Maria Luís Albuquerque
A comissária europeia Maria Luís Albuquerque afirmou hoje que o sistema bancário da UE só será competitivo se ganhar escala e defendeu a formação de “alguns, poucos”, bancos de maior dimensão que possam “competir genuinamente” a nível internacional.
“A escala continua a ser um desafio estrutural, especialmente quando comparada com os bancos americanos. Isto reflete-se em avaliações mais baixas, mas também em custos mais elevados e numa posição global mais fraca”, sustentou a comissária responsável pela pasta dos serviços financeiros durante a conferência “Integração Financeira Europeia 2026”, promovida pela Comissão Europeia (CE) e pelo Banco Central Europeu (BCE).
Salientando que “isto não significa que existam menos bancos ou apenas bancos de grande dimensão” na União Europeia (UE), Maria Luís Albuquerque disse serem apenas necessários ”alguns, poucos”, bancos maiores. “Não muitos”, sublinhou.
“Precisamos de uma gama diversificada de bancos. Os bancos de pequena e média dimensão prestam um serviço importante a muitos cidadãos e empresas europeias, mas precisamos de ver alguns bancos europeus de maior dimensão, que possam competir genuinamente a nível internacional em mercados-chave, incluindo a banca de investimento, o financiamento baseado no mercado e os serviços financeiros digitais”, reforçou.
A comissária portuguesa clarificou que o objetivo da CE não é, “do ponto de vista regulamentar, decidir se os bancos devem ser grandes ou pequenos”, mas sim “garantir que não existem impedimentos regulamentares para que atinjam o tamanho que faça sentido para o seu modelo de negócio”.
“Se o seu modelo de negócio for ser pequeno e isso fizer sentido, a regulação não os deve sobrecarregar. Mas se quiserem realmente ser grandes, optar por um sistema bancário mais universal e entrar no espaço da banca corporativa e de investimento, a regulamentação também não deve atrapalhar, se isso fizer sentido do ponto de vista comercial”, concretizou.
Assim, salientou Maria Luís Albuquerque, o que se pretende não é ter “um impacto negativo na diversidade” do setor bancário, mas “permitir que os modelos bancários sigam aquilo que consideram fazer sentido numa perspetiva comercial”.
Para a comissária, um setor bancário concorrencial na UE “deve ser, acima de tudo, resiliente”, mas também “eficiente, inovador e capaz de alocar capital onde é mais produtivo, apoiando o investimento, permitindo a inovação e financiando o crescimento de empresas novas e em expansão”.
Deve ainda “continuar a prestar serviços financeiros de elevada qualidade às famílias e às empresas a baixo custo”.
Neste sentido, a comissária afirmou que os “mais de 200” contributos reunidos ao longo das últimas semanas – de autoridades públicas, supervisores, intervenientes do setor e cidadãos – no âmbito da consulta sobre a competitividade bancária da UE irão agora orientar o próximo relatório da CE sobre o estado do sistema bancário no mercado único, a concluir até 15 de julho.
“De seguida, prepararemos um pacote [de medidas para o setor] bancário no primeiro trimestre de 2027”, disse, avisando que este terá de ser “ambicioso”, de forma a efetivamente “reduzir a complexidade desnecessária dos requisitos e da estrutura bancária, bem como abordar a fragmentação e permitir um mercado único mais integrado”.
“Para alcançar um mercado bancário verdadeiramente competitivo e integrado, incluindo uma união bancária completa na UE, bem como nos nossos mercados de capitais, devemos facilitar a operação dos bancos além-fronteiras”, afirmou, garantindo que “manter o ‘status quo’ não é uma opção” se o objetivo for realmente “financiar uma economia competitiva da UE”.
“Não se trata de ajustes marginais, isso não vai resolver o problema. Nada está descartado e precisamos de examinar tudo, incluindo os nossos requisitos microprudenciais, macroprudenciais e de resolução, e como interagem entre si antes de tirarmos conclusões finais”, rematou Maria Luís Albuquerque.
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