Aberdeen Investments desmistifica o provérbio “Sell in May and go away”
À medida que a Primavera dá lugar ao Verão, o adágio do mercado de ações “Sell in May and go away, and come back on St. Leger’s Day” volta a ser ouvido entre os investidores. No entanto, a casa de investimento Aberdeen Investments alerta que basear decisões de investimento unicamente no calendário pode levar à perda de oportunidades e desviar o foco do que realmente impulsiona os resultados a longo prazo.
A empresa global de gestão de ativos e património com sede em Edimburgo, Escócia, sublinha a importância de revisitar cinco lições cruciais que os mercados têm ensinado repetidamente, mas que são frequentemente esquecidas em tempos de incerteza.
Katie Trowsdale, Head of Multi-Asset Solutions da Aberdeen, comentou numa nota que “frases de mercado como ‘Sell in May’ são fáceis de lembrar e reconfortantes na sua simplicidade, particularmente durante períodos de incerteza. Mas a história sugere que o sucesso de investimento a longo prazo raramente foi impulsionado por seguir o calendário. Em vez disso, tende a vir de permanecer diversificado, manter-se investido através dos ciclos de mercado e adaptar-se à medida que as condições mudam. Repetidamente, os mercados mostraram que o rendimento, a diversificação e a paciência importam frequentemente mais do que o timing tático, enquanto mesmo os chamados ativos de refúgio podem comportar-se de forma imprevisível.”
“À medida que os investidores consideram o seu próximo passo, pode valer a pena focar menos em frases cativantes e mais nas lições que os mercados têm ensinado repetidamente – muitas vezes nos momentos em que são mais fáceis de esquecer”, concluiu Trowsdale.
As Cinco Lições de Mercado da Aberdeen Investments
Em períodos de crescimento lento ou lateral dos mercados, o rendimento tem sido um contribuinte significativo para os retornos a longo prazo. Dividendos de ações e pagamentos de juros de obrigações têm historicamente ajudado as carteiras a crescer, mesmo quando os preços pouco se alteram. A longo prazo, os dividendos representaram cerca de um terço do retorno total do S&P 500
O retorno total não se resume apenas à valorização dos preços; inclui também o rendimento gerado pelos investimentos. Manter uma combinação de investimentos produtores de rendimento pode tornar os retornos mais fiáveis ao longo do tempo e suavizar a volatilidade do mercado.
A segunda lição é que os mercados recuperam mais rápido do que os investidores. Após quedas acentuadas do mercado, como as observadas em 2008 e 2020, muitos investidores venderam no pior momento possível e esperaram por um sentimento de “segurança” antes de reinvestir. Contudo, os mercados não esperam pelo regresso da confiança. Alguns dos ganhos mais fortes historicamente ocorreram pouco depois das quedas, o que significa que o tempo fora do mercado pode ser dispendioso. Por exemplo, após o anúncio da tarifa do “Dia da Libertação” em 2 de abril de 2025, as ações globais caíram acentuadamente, atingindo o fundo em 8 de abril, antes de recuperarem rapidamente para os seus máximos anteriores até 2 de maio de 2025, defende a Aberdeen, que acrescenta que “manter-se investido ao longo do tempo tem sido geralmente mais importante do que esperar pela certeza”.
“Quando todos possuem o mesmo, o risco pode acumular-se silenciosamente”, refere a gestora de ativos.
“Os mercados passam por fases em que um país, setor ou estilo domina. No final da década de 1980, o Japão representava quase metade do mercado de ações global. No final da década de 1990, as ações de tecnologia lideraram o caminho”, lembra a Aberdeen que defende que a atual alta concentração num pequeno número de grandes empresas dos EUA, conhecidas como as “Magnificent Seven”, que sozinhas representam cerca de 20% do índice de ações global, é um lembrete de que o que parece seguro e óbvio também pode tornar-se sobrelotado.
Para a Aberdeen, a diversificação é mais importante quando uma parte do mercado parece imparável.
Inflação altera as regras do jogo
Períodos de alta inflação, como os da década de 1970, 2022 e mais recentemente, mostraram que os mercados nem sempre se comportam como esperado. As ações tiveram dificuldades e as obrigações não forneceram a proteção em que muitos investidores confiavam, lembra a Aberdeen. “Quando a inflação muda significativamente, as relações habituais entre os ativos podem quebrar. Por exemplo, em 2022, tanto as ações quanto as obrigações caíram em conjunto, com o S&P 500 a descer cerca de 18% e o Bloomberg US Aggregate Bond Index a cair aproximadamente 13% em termos locais. É por isso que carteiras mais amplas, que podem incluir ativos como infraestruturas ou outros ativos reais, podem desempenhar um papel útil”, defende a sociedade.
A Aberdeen diz que a inflação altera o comportamento dos mercados e as velhas suposições nem sempre se mantêm.
Por fim “ativos de refúgio nem sempre se comportam da mesma forma”, diz a gestora de ativos.
Choques geopolíticos recentes, como as tensões no Médio Oriente que impulsionaram os preços do petróleo e aumentaram as expectativas de inflação, mostraram que mesmo os ativos considerados de refúgio podem experimentar oscilações de preços acentuadas, defende a Aberdeen. “Por exemplo, o ouro tem sido visto como uma reserva de valor e uma forma de proteger o capital em períodos de stress. A história mostra que isso pode ser verdade a longo prazo, mas o caminho raramente é suave. O ouro pode cair precisamente quando os investidores mais esperam proteção; no final de março de 2026, caiu quase 11% numa única semana, uma das suas quedas de curto prazo mais acentuadas em décadas”, considera.
Portanto, “defensivo não significa sem risco. É necessária uma combinação de ativos defensivos, não uma única cobertura”, defende.
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