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Alojamento local para aves com elevada taxa de ocupação em São Brás de Alportel

Alojamento local para aves com elevada taxa de ocupação em São Brás de Alportel

Num tempo em que a expressão “alojamento local” evoca reservas online e escapadinhas de fim de semana, São Brás de Alportel propõe uma leitura mais silenciosa — e talvez mais essencial — do conceito. Aqui, os hóspedes chegam sem malas, cantam ao amanhecer e partem quando o instinto dita. Em 2025, foram cerca de 180 crias a nascer em caixas-ninho espalhadas pelo concelho, num exemplo notável de convivência entre comunidade humana e vida selvagem.
O projeto, desenvolvido em parceria com a Associação Vita Nativa, não é novo, mas atingiu este ano um marco particularmente expressivo: 72% de taxa de ocupação das 29 caixas instaladas. É o valor mais elevado desde 2022 e um salto significativo face aos 48% registados no ano anterior. Mais do que números, trata-se de um sinal claro de que a natureza responde quando lhe são dadas condições para regressar.

As pequenas estruturas de madeira, instaladas em locais como o Jardim da Verbena, o Parque da Fonte Férrea e vários espaços escolares, tornaram-se berçários improváveis para espécies como o chapim, responsável pela maioria das crias, mas também para o pardal-comum e a elegante trepadeira-azul. Discretas e funcionais, estas caixas oferecem abrigo num ambiente urbano que nem sempre é acolhedor para a avifauna.
Mas o alcance do projeto vai além da contemplação ou da estatística. Há uma dimensão pedagógica que se infiltra no quotidiano: crianças que observam ciclos de vida, comunidades que redescobrem o papel das aves no controlo de pragas, como a temida lagarta-do-pinheiro, e uma crescente consciência de que a biodiversidade não é um luxo distante, mas uma necessidade próxima.
A ambição é clara: expandir a iniciativa a toda a região algarvia, com a instalação de até 2.000 caixas-ninho, incluindo modelos destinados a aves de rapina como o peneireiro-vulgar ou a coruja-das-torres. Uma estratégia que alia conservação à inteligência ecológica, num tempo em que o equilíbrio dos ecossistemas exige soluções criativas e locais.
Integrado nas metas nacionais e europeias para a biodiversidade — e alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 — este “alojamento local para aves” revela-se um exemplo raro de política ambiental com impacto tangível e imediato.
Em São Brás de Alportel, o futuro da natureza constrói-se em pequenos gestos de madeira, suspensos entre árvores e telhados. E, ao que tudo indica, há cada vez mais hóspedes dispostos a fazer check-in.

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