Chips ditam novos máximos
O S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximos históricos consecutivos, num movimento claramente liderado pelo setor dos semicondutores e pela temática da inteligência artificial. O grande destaque continua a ser o índice dos semicondutores de Filadélfia, o PHLX Semiconductor Index (SOX), que acumula desde os mínimos do final de março uma valorização de quase 60% em pouco mais de um mês, renovando máximos históricos. Essa força dos semicondutores impulsiona diretamente o Nasdaq 100 e, em larga medida, o próprio S&P 500, dado o elevado peso que empresas como Nvidia, AMD, Broadcom, TSMC, ASML ou até Intel têm nos índices norte-americanos.
No entanto, o setor de software do S&P 500 continua relativamente mais fraco. É certo que a inteligência artificial é também uma revolução de software, mas nesta fase do ciclo o mercado está sobretudo a privilegiar a infraestrutura necessária para a IA, como semicondutores, GPUs, memória, redes, servidores e data centers. Os investidores acreditam que os maiores ganhos imediatos estão concentrados nas empresas que fornecem essa infraestrutura, como Nvidia, AMD, Broadcom, TSMC ou ASML, cujas receitas e margens continuam a crescer devido à elevada procura por capacidade computacional. Entretanto, muitas empresas de software continuam numa fase mais experimental da IA generativa. Ainda procuram formas mais consistentes de monetização, enfrentam maior concorrência e nem sempre conseguem transformar rapidamente o entusiasmo em crescimento efetivo dos lucros. Assim, apesar de a IA ser também software, o mercado está mais focado nas empresas que fornecem o hardware crítico que torna possível esta revolução tecnológica.
Apesar disso, o setor de software do S&P 500 valorizou na semana, mesmo com o recuo da Bitcoin nos últimos dias. O comportamento da BTC é muito semelhante ao do setor de software. Este movimento sugere que os investidores continuam a concentrar a liquidez sobretudo nas mega caps tecnológicas e nos semicondutores, em vez de a dispersarem por todos os ativos de risco.
Desde quarta-feira, o petróleo WTI caiu cerca de 15 dólares para 90 dólares por barril, enquanto o Brent recuou 15% de 113 para 98 dólares, após notícias favoráveis nas negociações entre os EUA e o Irão. Menores receios de inflação aliviaram as taxas de juro de longo prazo. As yields das Treasuries norte-americanas a 2 e 10 anos desceram cerca de 8 pontos base após o recuo do crude, embora no acumulado semanal tenham permanecido praticamente inalteradas. Este movimento é importante porque o mercado continua extremamente sensível à inflação e à política monetária da Fed. A queda do petróleo foi interpretada como um alívio para os riscos inflacionistas, ajudando a justificar, em parte, o aumento dos múltiplos das tecnológicas e dos semicondutores.
Apesar dos máximos históricos do S&P 500, já perto dos 7400 pontos, o mercado continua relativamente estreito (narrow market breadth), dependente da narrativa da IA e do investimento em infraestruturas tecnológicas. Isto torna o atual bull market simultaneamente muito forte, mas também mais frágil. Enquanto os semicondutores continuarem sólidos, os índices podem continuar a subir, mas qualquer desaceleração no ciclo de IA generativa ou nos investimentos em chips poderá penalizar todo o mercado norte-americano.
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