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Lucro dos cinco maiores bancos privados cresceu 5,2%

Lucro dos cinco maiores bancos privados cresceu 5,2%

O BCP, o Novobanco, o Santander Totta, o BPI e o Banco Montepio já revelaram as suas contas do primeiro trimestre e registaram, no conjunto, lucros de 905,8 milhões de euros, o que representa uma subida de 5,2% face ao período homólogo de 2025. O resultado confirma a resiliência do setor, ainda que o crescimento seja mais moderado do que nos anos anteriores, pressionado pela descida das margens financeiras e pelo aumento dos custos operacionais.
Uma das tendências mais claras do primeiro trimestre é mesmo a pressão crescente sobre as margens financeiras. Com exceção do BCP, que regista um crescimento de 2,4%, todos os restantes bancos apresentaram contrações.
O BCP foi o banco com melhor performance nos lucros beneficiando parcialmente de um efeito extraordinário positivo nas receitas de trading. Ainda assim, o desempenho operacional mostrou-se sólido, com receitas acima do esperado e custos controlados. O rácio de eficiência é de 36,0%.
Em capital o rácio CET1 situa-se em 15,1%, estando na média.
Em termos de lucros o BCP subiu 25,6% em relação a março do ano anterior para 305,8 milhões. A atividade em Portugal foi crucial. Os lucros em Portugal fixaram-se em 265,4 milhões, crescendo 21,2% face a março de 2025.
O banco liderado por Miguel Maya apresentou uma rendibilidade sólida, com um ROE de 15,9% e um RoTE de 16,6%. O produto bancário atingiu 983 milhões, crescendo 8,1%, impulsionado pelo crescimento das comissões em 8,2%, para 218 milhões. A margem financeira cresceu mais moderadamente, 2,4%, para 738 milhões de euros.
Em termos de qualidade dos ativos, o BCP tem vindo a melhorar e o custo do risco mantém-se baixo, nos 0,35%. Ainda assim, é o pior dos cinco bancos no que toca a novas imparidades sobre o stock de crédito. Ou seja, o BCP apresenta um custo do risco associado à concessão de crédito superior ao dos concorrentes. No que toca ao balanço, o crédito bruto no BCP cresceu 7,2% para 63.423 milhões, e os depósitos avançaram 6,6% para 90.731 milhões.
O segundo maior banco em lucros e o maior em rentabilidade é o Santander Totta, que registou um lucro de 242,4 milhões no trimestre. No entanto registou uma descida de 9,8% face ao primeiro trimestre de 2025, tornando-se o único grande banco do grupo a apresentar uma contração dos lucros. A queda dos resultados do Santander só foi superada pela queda do Banco Montepio que viu os lucros recuarem quase 31% para 23,6 milhões de euros.
O Santander explicou que a queda dos lucros se deve à pressão sobre a margem financeira, que caiu 3,5% para 341,8 milhões. Ainda assim, o banco continua a ser o mais eficiente do grupo, com um rácio de eficiência de apenas 28,4% — o mais baixo, indicando maior capacidade de geração de receita por euro de custo. Em rentabilidade, o Santander Totta reportou um RoTE de 31,4% (23,9% de ROE). Em termos de malparado, o rácio de NPE é dos mais baixos do conjunto, com 1,4%, com cobertura de 89,4%. No balanço o crédito cresceu 10,8% para 56.166 milhões, o mais expressivo entre os bancos analisados. Os depósitos cresceram 5,8% para 40.063 milhões. Por outro lado o capital CET1 situou-se em 15,6%.
O Novobanco é o terceiro do ranking dos lucros ao alcançar 200,7 milhões de resultado líquido no primeiro trimestre, uma subida de 13,2% em termos homólogos, consolidando a trajetória de recuperação iniciada nos últimos anos. O RoTE situou-se em 19,9%. O banco viu a margem financeira cair 1% (para 276,2 milhões) e as comissões subirem 1,5% (para 85,6 milhões). Os custos subiram 4,2% e assim o cost-to-income fixou-se em 36,10%.
Destaque para o bom custo do risco (-0,03%), apesar de continuar a liderar a tabela do rácio de malparado (NPL de 2,9%).
A carteira de crédito do Novobanco subiu 8,7% para 31.960 milhões e os depósitos cresceram 11% para 33.211 milhões. O banco vendido ao BPCE apresenta ainda o rácio de capital CET1 mais elevado do grupo (19,2%).
Já o BPI registou lucros de 133,3 milhões, uma ligeira descida de 2,0% face ao período homólogo. O RoTE (calculado apenas para Portugal) situa-se em 15,3%.
O produto bancário manteve-se estável, com a margem financeira a ceder 2,0% para 218,7 milhões, compensada por comissões que cresceram 4,0% para 78,6 milhões. Os custos cresceram de forma controlada (+4,0% para 131,9 milhões), e o rácio de eficiência é de 38,0%. Em termos de volume de negócio, o crédito cresceu 8% no banco do CaixaBank, para 33.835 milhões. Os depósitos cresceram apenas 2% para 32.180 milhões. O rácio de NPE é de 1,3%, sendo o segundo mais baixo do grupo, refletindo a qualidade elevada da carteira de crédito, com uma cobertura de 86,0%.
O rácio de capital CET1 do BPI é de 13,8%, o mais baixo entre os cinco bancos.
O Banco Montepio foi o grande destaque negativo do trimestre. Para além da queda mais acentuada do grupo, o banco apresenta ainda o rácio de eficiência mais elevado, de 61%, o que evidencia a necessidade de continuar a trabalhar na racionalização da estrutura de custos. O ROE de 5,4% é significativamente inferior ao dos restantes bancos. Isto apesar da subida de 8,5% do crédito.

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